BBI vê novo capítulo na Vamos com potencial de 92% de alta
BBI vê novo capítulo na Vamos com potencial de 92%

O Bradesco BBI acredita que a Vamos (VAMO3) iniciou um novo capítulo em sua história, mas os múltiplos de mercado ainda não refletem essa transformação. Os analistas do banco destacam que a empresa está executando uma reestruturação operacional relevante, que ainda não foi totalmente precificada pelas ações – e que não pode mais ser ignorada.

Recomendação de compra e preço-alvo

Por esse motivo, o BBI manteve a recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 6,00 para o final de 2026. Esse valor representa uma valorização de 92% em relação ao preço de fechamento da última quarta-feira. A expectativa é de que a melhora operacional se traduza em resultados financeiros mais robustos.

Ao longo do primeiro trimestre de 2026, a taxa de utilização dos ativos da Vamos subiu para 88%. Em comparação, ao final do segundo trimestre de 2024, o piso era de 82%. Segundo o BBI, cada ponto percentual adicional de utilização representa uma importante alavanca para o lucro da companhia.

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Impacto da utilização no lucro

Os cálculos do banco mostram que um aumento de 3 pontos percentuais na taxa de utilização poderia acrescentar R$ 104 milhões ao lucro líquido da Vamos. Esse impacto é comparável a um corte hipotético de 1,2 ponto percentual na taxa Selic. Isso significa, de acordo com os analistas, que a empresa possui catalisadores significativos para o crescimento dos lucros, sem depender integralmente do cenário macroeconômico.

Mesmo com a evolução recente, as ações ainda são negociadas a um múltiplo Preço/Lucro (P/L) de apenas 5,4 vezes para 2027. Para o BBI, esse nível ainda incorpora um risco de execução que já foi significativamente reduzido e que deverá desaparecer gradualmente à medida que o lucro líquido da Vamos evoluir.

Melhora estrutural e estratégia

Para o BBI, a Vamos tem implementado uma estratégia sólida para retomar os resultados positivos observados antes de 2023. Naquele período, entre 2023 e 2024, o segmento de transporte de grãos reduziu a taxa de utilização da frota para até 82%. Segundo os analistas, a retomada de veículos de clientes excessivamente alavancados deteriorou as margens de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das operações de Locação (Rental) e de Seminovos, comprometendo a rentabilidade geral da companhia.

Agora, entretanto, o banco acredita que a capacidade da companhia de reduzir o estoque de ativos ociosos melhorou, com mais alternativas do que em 2023. Utilizando, por exemplo, as operações de Seminovos, o programa Sempre Novo e as prorrogações de contratos, a Vamos consegue superar tanto o volume de retomadas de ativos quanto o vencimento natural dos contratos.

Em 2025, a capacidade da Vamos de reduzir seu estoque de ativos ociosos por meio dessas ferramentas atingiu R$ 2,8 bilhões. A expectativa do BBI para 2026, em linha com o guidance da empresa, é de aumento da capacidade para R$ 3,3 bilhões.

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