O ambiente de negócios no Brasil está pressionando a agenda dos diretores financeiros (CFOs), que agora dedicam mais tempo a questões regulatórias, fiscais e de compliance. Uma pesquisa da Deloitte, divulgada nesta quarta-feira, revela que 78% dos CFOs brasileiros consideram a complexidade tributária como o principal desafio para 2026, superando a inflação e a volatilidade cambial.
Compliance e riscos ganham prioridade
De acordo com o estudo, que ouviu 200 CFOs de empresas de médio e grande porte no Brasil, 65% dos executivos afirmaram que a agenda de compliance e gestão de riscos consumiu mais tempo nos últimos 12 meses. “Aumento da fiscalização e novas obrigações acessórias estão forçando os CFOs a se dedicarem mais à conformidade”, afirma Ricardo Santos, sócio da Deloitte responsável pela pesquisa.
A pesquisa também aponta que 52% dos CFOs pretendem aumentar os investimentos em tecnologia para automatizar processos de compliance e relatórios fiscais. A adoção de ferramentas de inteligência artificial para análise de dados tributários é citada por 34% dos entrevistados como prioridade.
Pressão sobre custos e eficiência
Além do compliance, a eficiência operacional é outra preocupação central. Com a taxa Selic em 13,75% ao ano, o custo de capital elevado força as empresas a buscarem maior rentabilidade. A pesquisa mostra que 71% dos CFOs estão revisando contratos com fornecedores para reduzir custos, enquanto 48% planejam renegociar dívidas.
“A pressão por resultados de curto prazo aumenta, mas os CFOs precisam equilibrar isso com investimentos de longo prazo em tecnologia e sustentabilidade”, comenta Santos. A agenda ESG também aparece como prioridade para 43% dos executivos, que veem na sustentabilidade uma forma de acesso a linhas de crédito mais baratas.
Mudanças na equipe financeira
A pesquisa indica que 61% dos CFOs estão contratando profissionais especializados em tributação e compliance, refletindo a demanda por habilidades técnicas. Ao mesmo tempo, 38% relatam dificuldade em encontrar talentos com conhecimento em regulação digital e criptoativos.
O estudo conclui que o CFO brasileiro está se tornando mais estratégico, mas ainda sobrecarregado por demandas operacionais. “A tendência é que a agenda do CFO se aproxime cada vez mais da do CEO, com foco em riscos, inovação e sustentabilidade”, finaliza Santos.



