O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu nesta terça-feira pela suspensão do zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, até que o atacante Gabriel Pec, do Cruzeiro, retorne aos treinamentos, respeitado o limite máximo de 180 dias. A punição foi aplicada após a defesa do clube gaúcho utilizar um áudio falso da cabine do VAR, criado por um perfil em redes sociais, como prova no julgamento.
Áudio falso do VAR usado como prova
Victor Gabriel foi julgado pela falta que provocou fratura na perna esquerda de Gabriel Pec durante a derrota do Inter por 2 a 1 para o Cruzeiro, em 22 de julho, no Beira-Rio. Os auditores do STJD concordaram por unanimidade com a aplicação da pena mínima de seis partidas de suspensão. Em seguida, passaram a analisar o agravante que poderia ampliar a punição até o retorno do atacante aos gramados, com o teto de 180 dias.
Foi nesse segundo momento que a defesa do Inter apresentou um áudio forjado, supostamente extraído da cabine do VAR, como argumento para minimizar a conduta do zagueiro. O material, porém, era falso e foi produzido por um perfil de redes sociais. A utilização desse áudio influenciou diretamente o resultado do julgamento.
Mudança de voto decisiva
Durante a discussão do agravante, a auditora Aline Jatahy afirmou que alterou seu entendimento inicial por causa da prova irregular. Segundo ela, a tendência original era votar contra a aplicação da pena ampliada. No entanto, diante do material exibido pela defesa, optou pela punição mais severa.
— Confesso até que estava inclinada a acompanhar o doutor Rodrigo (Bayer, relator) considerando que eu fiz uma rápida pesquisa e vi que o senhor Gabriel teve sua primeira expulsão. Mas diante de todas as argumentações e desse fato novo, eu não tenho compromisso com erro, eu vou acompanhar o doutor Eduardo (Xible, auditor) e o doutor e o nosso presidente (Jorge Lavocat Galvão), no sentido da aplicação do parágrafo terceiro, no mesmo prazo em que o jogador ora lesionado — afirmou Aline Jatahy.
Se houvesse empate, pena seria menor
A mudança de posicionamento teve peso decisivo. Caso a auditora tivesse mantido o entendimento original, a votação sobre a suspensão vinculada ao retorno de Pec teria terminado empatada. Em situações de empate no STJD, prevalece a interpretação mais favorável ao réu. Assim, Victor Gabriel cumpriria apenas a pena mínima de seis partidas.
A consulta do ge a especialistas em direito desportivo, como Fernanda Soares e Andrei Kampff, confirmou que o empate beneficiaria o atleta. Na prática, a apresentação do áudio falso acabou prejudicando Victor Gabriel, pois contribuiu para que Aline Jatahy mudasse seu voto, resultando na punição máxima prevista.
Inter reconhece erro e vai recorrer
Em nota conjunta com o escritório de advocacia responsável pela defesa, o Internacional reconheceu a falha na captação da prova, mas negou má-fé no uso da conversa fictícia. O vice-presidente jurídico do clube, Jorge Oliveira Filho, afirmou à Rádio Gaúcha que não houve prejuízo direto ao zagueiro com a apresentação do áudio falso, apesar de a evidência ter influenciado o julgamento.
— Embora o equívoco cometido, não foi fator determinante para o julgamento no formato que foi estabelecido. Vinha de dois votos em decisão neste sentido — destacou Oliveira Filho.
O Inter anunciou que irá recorrer da decisão do STJD e dará todo o suporte de defesa a Victor Gabriel nos próximos passos do processo. O clube espera reverter a suspensão ou reduzir a pena para as seis partidas iniciais.



