Pela primeira vez em quase 50 anos, a ópera Tristão e Isolda, de Richard Wagner, retorna ao Brasil para cinco apresentações no Theatro Municipal de São Paulo. A montagem, que estreia em 22 de julho, é inspirada no mito medieval e na filosofia de Schopenhauer, com direção musical do maestro Roberto Minczuk.
Desafio monumental para o maestro
O maestro Roberto Minczuk, que assumiu como titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo há nove anos, revelou à Coluna que foram meses de ensaio e preparação para dar conta da profundidade e duração da obra. "É mentalmente, emocionalmente, fisicamente uma ópera que exige demais de todos os participantes, principalmente do maestro, que precisa conduzir, dar entradas para os cantores, controlar o equilíbrio sonoro para que os cantores sejam ouvidos", afirmou.
A história de Minczuk se entrelaça à da ópera: ele tinha 11 anos quando Tristão e Isolda foi apresentada pela última vez, também no Theatro Municipal. Na época, aluno do trompista italiano Enzo Pedini, assistiu aos ensaios e guardou o impacto da música. "Desde que assumi, venho tentando programar essa peça todas as temporadas", contou.
Preparo físico e elenco internacional
Para reger por mais de quatro horas, Minczuk adotou dieta balanceada, sono regrado e exercícios diários, incluindo subir nove andares de escada várias vezes. "O tempo passa rápido porque a música é de uma beleza e engajamento que não se vê a hora passar. É como maratonar uma série inteira em um fim de semana", comparou.
O elenco conta com Simon O'Neill e Michael Weinius se revezando como Tristão, Annemarie Kremer e Eiko Senda como Isolda, Luisa Francesconi e Denise de Freitas como Brangäne, além de Leonardo Neiva, Hernan Iturralde, Paulo Queiroz, Jessé Vieira, Cleyton Pulzi e Edu Martins. "É um grande elenco. Um grande feito, um acontecimento poder fazer Tristão e Isolda no Theatro Municipal após 48 anos de jejum", finalizou o maestro.
Serão cinco sessões entre 22 de julho e 2 de agosto, todas com início às 17h.



