O capitão Rodrigo Capita está prestes a encerrar uma carreira histórica no futsal. Aos 42 anos, o camisa 14 do Sorocaba Futsal fará sua última partida como jogador profissional nesta sexta-feira, às 20h30, contra o Tubarão, pela Liga Nacional de Futsal, na Arena Sorocaba. Em sua última coletiva de imprensa, emocionado, ele relembrou a trajetória desde a infância, os títulos e a decisão de parar ainda no auge.
Uma despedida emocionante
Durante a entrevista, Capita chorou diversas vezes ao falar da despedida, da relação com a torcida e do sonho realizado de viver do futsal. Autor de 981 gols, ele encerra a carreira com 48 títulos conquistados, entre eles Mundiais, Libertadores, Ligas Nacionais e uma Copa do Mundo pela seleção brasileira.
— Eu falaria para aquele garoto que chegava de madrugada em casa com o pai: 'vai valer a pena, continua que vai valer a pena'. Sempre fiz por amar jogar, não pensava em ser rico ou famoso. Queria viver do futsal — disse Capita, emocionado.
Ele destacou o apoio dos pais: — Minha mãe e meu pai correram atrás de mim. Eles sonharam mais que eu para que eu fosse atleta de alto rendimento. Estão sofrendo mais do que eu nessa despedida.
Trajetória de superação
Capita contou que começou em um escritório de contabilidade aos 20 anos, ainda sonhando em viver do esporte. A oportunidade surgiu em Araçatuba, e depois veio a Copa TV TEM, que considerou um marco. — Perdemos o jogo, mas o presidente do Santa Fé me convidou para jogar lá. Fiquei dois anos e meio, os primeiros seis meses sem jogar. Aí o sonho foi crescendo: jogar um Campeonato Paulista, uma Liga Sudeste, uma Liga Nacional. O telefone tocou e era o Carlos Barbosa. Cheguei lá, venci a Liga Nacional. Depois, o sonho era chegar à seleção brasileira, jogar uma Copa do Mundo, ser campeão do mundo. Fui campeão do mundo.
Ao chegar ao Sorocaba, os objetivos aumentaram. — Sonho de jogar ao lado do Falcão, ser campeão da Liga, da Libertadores, do mundo. Sorocaba me virou uma chave muito grande, um time com pensamento para a frente.
Decisão de parar no auge
Mesmo ainda competitivo, Capita decidiu encerrar a carreira antes do declínio. — Não queria parar ladeira abaixo. Queria parar no meu auge, vencendo, fazendo gol. Mas é difícil parar desse jeito. Eu não queria ser um peso para o time, queria ser a solução. Desde os 38 anos, mudei o estilo de jogo, minha minutagem caiu, e eu coloquei na cabeça que de cada duas chances teria que fazer uma.
Ele também revelou que há seis anos trabalha em outro projeto, como comentarista de TV. — O ônibus passou, e se eu não pulo dentro, não teria outra oportunidade. Agora tenho um caminho traçado para o fim.
O que vai sentir mais falta
Capita disse que sentirá falta da resenha no vestiário, das viagens e da adrenalina do gol. — A maior sensação do mundo é fazer gol e explodir o ginásio. Ver pai, mãe e filhos pulando na arquibancada comemorando um gol meu. O ginásio fala comigo, a torcida espera eu falar com ela. Eu desejo a qualquer atleta: faça o gol com o ginásio lotado, corram atrás dessa sensação. É mais prazeroso do que levantar o troféu.
Série com Fred e legado
Capita destacou a série "Vai pra Cima, Fred", lançada em 2020, como um divisor de águas para o Sorocaba. — Abrir o vestiário para todo mundo ver pesa, mas ganhamos, fomos campeões invictos. Isso ficou na nossa essência.
Para os jovens, deu um conselho: — A molecada tem que seguir os vencedores. Se seu filho tem 12 anos e joga futsal, ele tem que desejar jogar no Magnus, não dar uma lambreta. E não ir direto para o Magnus: tem que comer a massa, passar do bairro para a cidade, da cidade para o estado, do estado para o Brasil.
Como quer ser lembrado
— O Capita! O cara que fez o primeiro gol deste ginásio. Um cara que fez a coisa com amor. Nunca escolhi jogo. Se tivesse cinco pessoas ou ninguém, eu estava aqui. Sempre fiz com vontade de explodir o ginásio.
Capita se despede com 48 títulos, incluindo quatro Mundiais, três Ligas Nacionais, três Libertadores e uma Copa do Mundo pela seleção. O jogo contra o Tubarão será sua última chance de sentir a adrenalina do ginásio lotado.



