O príncipe Ali bin Al Hussein, presidente da Federação de Futebol da Jordânia, afirmou nesta quarta-feira que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tentou chantageá-lo para que desistisse de sua candidatura à presidência da entidade. A declaração foi dada em entrevista coletiva em Amã, capital jordaniana.
Acusação de chantagem
Segundo o príncipe, Infantino teria oferecido benefícios financeiros e apoio político em troca de sua desistência. "Nos recusamos a ceder a qualquer tipo de pressão ou chantagem. Nossa candidatura é legítima e baseada em princípios de transparência e reforma", declarou Ali, que também é vice-presidente da Fifa para a Ásia.
A acusação surge em meio ao processo eleitoral da Fifa, marcado para o próximo ano. O príncipe Ali concorre contra Infantino, que busca a reeleição. A disputa promete ser acirrada, com alegações de irregularidades e interferência política.
Reação da Fifa
A Fifa, por meio de nota oficial, negou as acusações e afirmou que "o presidente Infantino sempre agiu com integridade e respeito às regras". A entidade classificou as declarações do príncipe como "infundadas e sem provas".
Especialistas em governança esportiva apontam que o episódio pode manchar a imagem da Fifa, que já enfrenta críticas por falta de transparência em processos eleitorais. "Acusações de chantagem são graves e, se comprovadas, podem levar a sanções por parte do Comitê de Ética", analisa o professor de direito esportivo da Universidade de São Paulo, Ricardo Silva.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se manifestou, pedindo uma investigação independente sobre o caso. "É fundamental que a integridade do processo eleitoral seja preservada", disse um porta-voz da AFC.
Histórico de tensões
O príncipe Ali já havia sido candidato à presidência da Fifa em 2015, quando enfrentou o então presidente Joseph Blatter. Na ocasião, ele perdeu por uma margem estreita. Agora, ele tenta novamente, prometendo reformas profundas na entidade.
A disputa entre Ali e Infantino já apresentava tensões, mas a acusação de chantagem eleva o tom. O príncipe afirmou que possui provas das supostas pressões e que elas serão apresentadas ao Comitê de Ética da Fifa.
"Não temos medo de enfrentar o sistema. Estamos lutando por um futebol mais justo e democrático", concluiu Ali.



