A Portuguesa foi eliminada pelo segundo ano consecutivo da Série D do Campeonato Brasileiro no último sábado. Após perder a primeira partida da terceira fase para o Uberlândia por 2 a 0 fora de casa, a Lusa venceu por 1 a 0 no Canindé, mas o placar agregado de 2 a 1 decretou a eliminação. Com o resultado, o time paulista ficará sem disputar nenhum campeonato oficial nos próximos sete meses, até o início do Campeonato Paulista de 2027. A diretoria optou por não participar da Copa Paulista.
Eliminação na Série D repete roteiro de 2025
Em 2025, o cenário foi semelhante. Na ocasião, a Portuguesa caiu diante do Mixto-MT ainda na segunda fase da competição. Assim como neste ano, após perder a partida de ida, a Lusa precisava vencer em casa no tempo normal. Conseguiu um 1 a 0, empatando o agregado, mas foi eliminada nos pênaltis. Ambas as eliminações foram especialmente cruéis para a torcida lusitana, que viu o clube repetir o mesmo enredo de sofrimento em casa.
O plano ambicioso da SAF e os desafios
No fim de 2024, três empresas adquiriram 80% das ações da Portuguesa em troca de um investimento de R$ 1 bilhão ao longo de 50 anos. O projeto previa quitar todas as dívidas do clube e transformar o estádio do Canindé em uma arena moderna multiuso. O cronograma estabelecia que a Lusa estaria na Série D em 2025, subiria para a Série C em 2026, para a Série B em 2027 ou 2028 e retornaria à elite do futebol brasileiro em 2029, após 16 anos de ausência. No entanto, o planejamento não se concretizou já na primeira temporada sob a nova gestão: o acesso à Série C em 2025 não veio.
A divisão do comando da SAF colocou a Tauá Partners como responsável pela gestão do futebol; a Revee, pela reforma do Canindé; e a XP Investimentos, pela captação de recursos no mercado. Alex Bourgeois, da Tauá, foi nomeado gestor principal. Bourgeois teve passagens curtas como CEO no São Paulo (em 2015, demitido após atritos com o presidente) e no Figueirense (2017, onde ficou apenas dois meses no cargo). A gestão da SAF tem sido alvo de críticas da torcida, que vê o clube estagnado.
O trauma do rebaixamento de 2013 e o declínio
Treze anos separam a última participação da Portuguesa na primeira divisão nacional. A memória mais recente é traumática: o polêmico caso do meia Héverton. Na última rodada do Brasileirão de 2013, a Lusa empatou sem gols com o Grêmio, resultado que a manteria na elite, mas escalou Héverton de forma irregular. O jogador cumpria suspensão de dois jogos, mas atuou 32 minutos. O STJD puniu o clube com perda de quatro pontos com base no artigo 214 do CBJD, o que fez a Portuguesa ser ultrapassada pelo Fluminense e rebaixada para a Série B.
A partir daí, o clube entrou em espiral negativa. Rebaixado para a Série C, depois para a D, entre 2018 e 2024 a Lusa ficou sem divisão nacional, exceto em 2021, quando disputou a Série D após vencer a Copa Paulista. Antes da SAF, a situação era caótica: dívidas acumuladas, perda de sócios e patrocinadores, e até um caso de polícia envolvendo a morte de um jogador do sub-17 na piscina do clube. O terreno do Canindé chegou a ser ameaçado de leilão, pois era a principal garantia das dívidas. Apesar do aporte bilionário, a Portuguesa ainda busca o caminho de volta. Enquanto isso, a torcida lamenta mais uma eliminação precoce e um futuro incerto.



