A Ponte Preta foi alvo de um novo transfer ban imposto pela Fifa, revelado nesta segunda-feira, devido ao não pagamento de uma dívida com o zagueiro Luis Haquin. A punição impede o clube de registrar jogadores em âmbito nacional e internacional até a quitação integral do débito.
Detalhes da punição
Em documento enviado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Fifa informou que a Ponte não cumpriu a decisão da Câmara Disciplinar, determinando o bloqueio nos registros. A dívida, de R$ 227.777,75, refere-se a pendências financeiras acumuladas durante a passagem de Haquin por empréstimo na temporada de 2024.
Em janeiro deste ano, o clube foi condenado a pagar o valor ao defensor boliviano. A Ponte tinha 45 dias para cumprir a decisão e evitar o transfer ban. As partes firmaram acordo para parcelar o pagamento em duas vezes iguais. A primeira parcela foi quitada em março, mas a segunda não foi paga, motivando a nova sanção.
Entenda o processo
A cobrança inicial feita por Haquin era de aproximadamente R$ 500 mil, englobando salários atrasados, verbas rescisórias e encargos trabalhistas. A Câmara de Resoluções da Fifa acolheu apenas parte dos pedidos e fixou a indenização em R$ 227.777,75. O caso foi analisado pela entidade porque Ponte Preta e Bolívar, clube detentor dos direitos do atleta à época do empréstimo, elegeram a Fifa como foro competente para conflitos contratuais.
Haquin, atualmente no Al-Tai, da Arábia Saudita, e capitão da seleção boliviana, disputou apenas 13 partidas pela Macaca em 2024. Nos seis meses finais, deixou de ser utilizado por opção técnica da comissão técnica de Nelsinho Baptista.
Contexto de crise financeira
O novo bloqueio amplia a série de sanções enfrentadas pela Ponte Preta. Desde o início de maio, o clube já estava impedido de registrar atletas por decisão da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), após deixar de pagar três parcelas do acordo coletivo firmado em setembro de 2024 para quitar cerca de R$ 18 milhões em dívidas com jogadores, treinadores, intermediários e clubes.
Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, a Macaca conviveu simultaneamente com punições da CNRD e da Fifa. Os dois transfer bans foram encerrados às vésperas do Campeonato Paulista, permitindo que a Ponte inscrevesse reforços apenas a partir da quarta rodada. Nos três primeiros jogos, o elenco contou com atletas das categorias de base.
A crise financeira se reflete dentro de campo. Rebaixada no Campeonato Paulista, a Ponte encerrou o primeiro turno da Série B na lanterna, com apenas oito pontos conquistados e risco de rebaixamento à Série C superior a 99%. Atrasos salariais, processos trabalhistas e dificuldades com credores marcam a gestão do clube desde meados de 2025.



