Ney Franco relembra título da Copa do Brasil de 2006 pelo Flamengo
Ney Franco e o bicampeonato da Copa do Brasil de 2006

O Flamengo conquistou o bicampeonato da Copa do Brasil em 2006 ao vencer o Vasco por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Juan. Por trás do título, o técnico Ney Franco, então com apenas dois anos de experiência no profissional, foi o responsável por decisões ousadas que surpreenderam o rival e marcaram a história. Em entrevista ao ge, Ney Franco relembra os bastidores da conquista, que completa 20 anos neste domingo.

A chegada ao Flamengo sem saber o salário

Ney Franco, que vinha de 13 anos nas categorias de base e menos de dois no comando do Ipatinga-MG, recebeu o convite do então presidente Kléber Leite logo após a semifinal da Copa do Brasil, no vestiário do Maracanã. "Eu nem discuti salário, para você ter ideia da minha vontade de acontecer", afirmou. A proposta surgiu em meio a um período de instabilidade no Flamengo, que trocava de técnico a cada três meses. "Lembro que fui o último treinador a ficar um ano e quatro meses no cargo desde o Zagallo", destacou.

A tática do 3-6-1 que surpreendeu o Vasco

Para a final, Ney Franco montou uma formação inovadora: três zagueiros (Renato Silva, Fernando e Angelim), laterais Léo Moura e Juan liberados ao ataque, e um tripé no meio-campo com Jônatas como volante centralizado. "O Renato Augusto, de 18 anos, jogou como segundo atacante. Com a bola, o time virava 3-5-2", explicou. A estratégia anulou o ataque vascaíno e resultou em dois jogos sem sofrer gols. "O Flamengo não foi vazado nos dois jogos", lembrou. O primeiro gol veio apenas no segundo tempo, após ajustes. "O Renato Silva machucou e coloquei Obina, mas mantive a ideia de liberar os laterais."

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Decisões fundamentais

Além da tática, Ney Franco apostou em jogadores questionados. "Tirei o Toró de atacante para fazer volante, e ele continuou na função com outros treinadores." A recuperação de Luizão, que jogou no sacrifício, e a paciência de Obina, que saiu do banco para marcar, foram cruciais. "Eu expliquei o objetivo, e os jogadores compraram a ideia", disse. O técnico também revelou que nunca conversou com o antecessor, Waldemar Lemos, e gostaria de tomar um café com ele. "Infelizmente, não tive essa oportunidade", afirmou.

O legado do título

Para Ney Franco, a conquista foi o carimbo de seu passaporte no futebol. "Depois vieram outros títulos, como a Sul-Americana com São Paulo e o Mundial sub-20 com a geração de Neymar, mas esse me abriu portas até hoje", avaliou. Atualmente, o treinador busca novas oportunidades no Brasil ou no exterior, após uma passagem pelo Al-Hussein, na Jordânia, onde foi campeão mesmo saindo antes do fim. "Me sinto campeão também", concluiu.

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