O Ceará enfrenta uma crise financeira e esportiva na temporada 2026. Segundo dados divulgados, o clube acumulou um prejuízo de R$ 484.717,25 nos jogos em casa durante o primeiro turno da Série B do Campeonato Brasileiro, realizados entre o Castelão e o Presidente Vargas. Apenas duas partidas tiveram lucro: contra o Fortaleza (R$ 104.465,80) e contra o CRB (R$ 10.280,65).
Contexto de crise e protestos
O momento turbulento começou ainda no fim da temporada de 2025. A torcida alvinegra protesta contra salários atrasados, jejum de vitórias desde 10 de junho e um déficit financeiro de R$ 84 milhões – R$ 80 milhões a mais que em 2025. O time ocupa a zona de rebaixamento (Z-4) com apenas 19 pontos em 19 rodadas. O jornalista André Almeida afirmou: "Ceará caminha para um vexame histórico".
Detalhamento dos prejuízos por jogo
Na estreia em casa (Rodada 1), contra o São Bernardo, o prejuízo foi de R$ 62.798,34, com público de 8.680. As principais despesas foram operação do estádio (R$ 31,9 mil), arbitragem (R$ 29,7 mil) e aluguel do Castelão (R$ 20 mil). Contra o Náutico (Rodada 4), prejuízo de R$ 28.878, com público de 14.032; as despesas incluíram Quadro Móvel I (R$ 61.161,11), aluguel (R$ 17.547,92) e transporte da arbitragem (R$ 12.160,40).
Na Rodada 6, contra o Vila Nova-GO, o prejuízo foi de R$ 75.177,60 (público: 10.599), com destaque para Quadro Móvel I (R$ 65.262,47) e locação de estrutura (R$ 17.729,98). O maior prejuízo ocorreu contra o Atlético-GO (Rodada 8): R$ 113.110,09, com público de apenas 6.268. As despesas principais foram Quadro Móvel I (R$ 58.904,49), aluguel (R$ 20 mil) e produção do evento (R$ 18.034,87).
Contra o Fortaleza (Rodada 9) houve lucro de R$ 104.465,80 (renda dividida 50%), com público de 20.362. As principais receitas vieram dos setores visitantes: Superior Sul (R$ 115.400), Inferior Sul (R$ 52.750) e Inferior Central (R$ 44.700).
Na Rodada 11, contra o Operário-PR, prejuízo de R$ 127.667,67 (público: 4.356), com despesas de Quadro Móvel I (R$ 51.367,02), aluguel (R$ 20 mil) e transporte da arbitragem (R$ 12.398,40). Contra o Avaí (Rodada 12), prejuízo de R$ 53.864,52 (público: 3.488), com Quadro Móvel I (R$ 14.796,65), arbitragem (R$ 12.710) e transporte (R$ 9.564).
Contra o Botafogo-SP (Rodada 14), prejuízo de R$ 47.149,88 (público: 5.092), com Quadro Móvel I (R$ 15.977,87), arbitragem (R$ 14.950) e transporte (R$ 11.333). Contra o Athletic (Rodada 17), prejuízo de R$ 38.584,70 (público: 6.191), com arbitragem (R$ 17.170), Quadro Móvel I (R$ 15.411,14) e transporte (R$ 12.054,80). Por fim, contra o CRB (Rodada 19), lucro de R$ 10.280,65 (público: 11.089), com receitas de setores arquibancada (Azul Inteira: R$ 27.920; Laranja: R$ 21.750; Azul Meia: R$ 19.140).
Impacto no clube e na torcida
O déficit de R$ 84 milhões apresentado no início da temporada intensificou a revolta da torcida, que segue protestando. O Ceará precisa reverter rapidamente a situação financeira e esportiva para evitar o rebaixamento. Com 19 pontos, o time está a três pontos de sair do Z-4, mas a sequência de resultados negativos em casa preocupa.



