O Nacional-AM está a 180 minutos de conquistar o primeiro acesso nacional de sua história. Classificado para as quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro, o Leão da Vila enfrenta o ABC em confronto que vale vaga na Série C de 2027. A partida de ida ocorre em Manaus entre 8 e 9 de agosto, e a volta em Natal entre 15 e 16 de agosto, com datas a confirmar pela CBF.
O sonho que atravessa gerações
Com 113 anos de história e 44 títulos do Campeonato Amazonense, o Nacional nunca conseguiu subir para uma divisão nacional. A oportunidade mais próxima foi em 2002, quando o clube chegou ao quadrangular final da Série C — então a última divisão do futebol brasileiro. Naquele ano, o time liderou o Grupo 1 com 22 pontos, 10 a mais que o vice-líder Atlético Roraima, e eliminou Tocantinópolis, Atlético Roraima e Ferroviário até garantir vaga no quadrangular.
O grande nome da campanha foi o atacante Garanha, ídolo do clube. Contra o Ferroviário, ele marcou dois gols no empate por 3 a 3 em Fortaleza, após vitória em Manaus, que selou a classificação. Mas, segundo Garanha, problemas extracampo minaram o time na fase final.
Problemas financeiros e o quase acesso
“Na nossa campanha de 2002, nós chegamos perto, só que infelizmente não tivemos o que o Nacional está tendo agora: apoio e suporte de empresários por trás para conseguir o acesso. Fizemos uma brilhante campanha, mas estávamos com dois ou três meses de salários atrasados. Quando caía dinheiro, saía repartindo. Dava R$ 300 para um, R$ 500 para outro. Isso gerou um desconforto muito grande entre nós, jogadores”, relembra Garanha.
O ex-atacante também cita um episódio antes da estreia do quadrangular: “Eu tomei o terceiro cartão amarelo e não viajei para Ipatinga. Quando o pessoal chegou ao aeroporto, o finado Zaranza fez um pagamento para alguns jogadores. Teve gente que recebeu R$ 1 mil, R$ 1,5 mil. Como eu não viajei, não recebi. São coisas que deixam a gente muito triste.”
A derrota dentro do Vivaldão
Único representante da Região Norte no quadrangular, o Nacional enfrentou Ipatinga, Marília e Brasiliense. Na estreia, sem Garanha, empatou por 1 a 1 fora de casa com gol de Wallace. Depois, em dois jogos no Vivaldão, perdeu para Marília e Brasiliense, desperdiçando a chance de acesso.
Garanha afirma que um gol seu foi anulado de forma injusta: “Contra o Brasiliense, eu fiz um gol, mas o árbitro não validou. No fim, com nosso time todo no ataque, sofremos um contra-ataque e o Túlio fez o gol.” Ele também lembra promessas não cumpridas: “O seu Mário Cortes falou que se vencêssemos um jogo, pagaria um salário. Mas tiraram nosso zagueiro titular e colocaram alguém que nunca tinha atuado. Aguentamos o primeiro tempo no 0 a 0, mas perdemos por 2 a 0.”
Esperança renovada em 2026
Agora, 24 anos depois, o Nacional tem nova chance. Garanha, hoje com 49 anos, acompanha de fora, mas promete estar na arquibancada. “O que é louvável agora é o suporte que o Nacional está tendo da diretoria. Com certeza estarei presente no jogo. Vou estar lá no meio da torcida, sendo mais um para empurrar o time rumo a esse acesso. Avante, Nacional, para a vitória!”, finaliza.
Neste ano, seis times sobem para a Série C: os quatro semifinalistas da Série D mais os dois vencedores de um playoff entre os derrotados das quartas de final. O Nacional busca escrever o capítulo mais importante de seus 113 anos.



