A meia Júlia Daltoé, há apenas quatro meses no Mirassol, já marcou seu nome na história do clube. Aos 20 minutos do segundo tempo, ela acertou um chute forte da intermediária que bateu no travessão antes de entrar, garantindo o primeiro gol da equipe feminina e o primeiro ponto no Campeonato Paulista Feminino, com o empate contra o Bragantino.
Gol histórico e emoção
— Fui honrada por ter sido a primeira a fazer esse gol. Fico muito feliz, não só por mim, mas por todas as minhas companheiras. A gente trabalha todos os dias para que isso aconteça e o gol é de todo mundo. Foi um golaço e fiquei muito honrada por viver esse momento, disse Júlia em entrevista ao ge.
Além do marco, o gol representou o primeiro ponto do Mirassol no Paulistão. Para a meia, o lance foi consequência do trabalho desenvolvido desde o início da temporada.
— Nós temos feito semanas boas de treino e estava muito confiante de que esse jogo seria diferente. Ainda não conseguimos a vitória, mas sabemos da importância do ponto e, principalmente, de ter saído esse primeiro gol para dar andamento na competição, completou.
Família presente
O momento ganhou ainda mais significado porque, pela primeira vez, a família de Júlia viajou do Rio Grande do Sul para vê-la atuar com a camisa do Mirassol. Sua mãe, padrasto e duas irmãs acompanharam de perto o golaço histórico.
— Foi a primeira vez que eles vieram me ver aqui em Mirassol. Escolheram justamente esse jogo e deram sorte. Vieram minha mãe, meu padrasto e minhas duas irmãs. Minha mãe passou os dias falando que estava sentindo que daria certo. Com eles perto eu fiquei ainda mais motivada, contou Júlia.
— Quando fiz o gol, já saí apontando para eles porque eu já tinha combinado que, se marcasse, seria para eles. Depois fui comemorar com o banco, porque esse gol é de todas as atletas e da comissão técnica, acrescentou.
Processo e confiança
Apesar de o Mirassol ainda ocupar a última colocação do Campeonato Paulista, Júlia acredita que o projeto está no caminho certo e pede paciência neste primeiro ano da equipe.
— É um processo. O torcedor quer resultado, quer vitória, e isso é normal. Mas é o primeiro ano do projeto e já conseguimos um ponto em um dos campeonatos mais fortes do Brasil. A gente tem capacidade de bater de frente com essas grandes equipes. Esse primeiro ponto e esse primeiro gol aumentam ainda mais a confiança no que estamos fazendo, afirmou.
Emoção da mãe
Ao fim da entrevista, Júlia conversou por chamada de vídeo com a mãe, Dona Gisele, que relembrou o momento emocionante.
— Foi incrível. Na hora do gol eu levantei lá na arquibancada e agradeci. É muita coisa envolvida. A saudade dói muito, mas um momento como esse ameniza tudo, disse Dona Gisele.
— Acho que ela nem tinha dimensão do que significava fazer o primeiro gol da história do Mirassol Feminino. Depois, conversando, ela percebeu que ficaria marcada para sempre. Foi uma sensação que não tem explicação. Só quem vive sabe o que é, completou.
Com um ponto, o Mirassol segue na lanterna do Paulistão Feminino e volta a campo na segunda-feira, às 19h, contra o São Paulo, em Santana de Parnaíba.



