Foi desolador. Ao menos para quem esperava ver um Grêmio diferente após 48 dias sem jogos, entre férias e período exclusivo para treinos. O técnico Luís Castro e os jogadores, que tanto reclamaram do calendário apertado do primeiro semestre, entregaram mais do mesmo após a folga do Mundial. A derrota por 2 a 1 para o Mirassol foi justa e relembrou aos torcedores, antes mesmo do final da Copa, o que é se indignar por culpa de um time de futebol.
Domínio do Mirassol no primeiro tempo
O elenco do Grêmio está longe de ser perfeito. Tem deficiências técnicas aqui e ali, perdeu Arthur e Viery e passa por uma remontagem. Mas as dificuldades não justificam o amplo domínio coletivo do Mirassol na retomada do Brasileirão na noite desta sexta-feira. O rival de Z-4 e baixíssimo poder financeiro construiu o resultado logo no primeiro tempo. Na etapa final, se acomodou por conta dos 2 a 0, e a reação do Grêmio não mereceu mais do que o desconto de um gol.
Atuação do Grêmio: mais do mesmo
No último amistoso da parada, diante do Cruzeiro, no domingo passado, houve sementes de melhora lançadas ao solo. Pois agora o vento bateu forte e as levou para ninguém sabe onde. O meio-campo voltou a não marcar e o ataque, a não criar. Os dois zagueiros, Gustavo Martins e Kannemann, correram para todos os lados para tapar os furos deixados pelos demais setores da equipe. Aproximação entre os jogadores? Zero. Gabriel Mec, jovem esperança do time, passou despercebido em campo. Luís Castro recorreu a Braithwaite logo no intervalo. Villasanti ainda busca ritmo de jogo, e Nardoni ainda precisa descobrir qual é o seu lugar em campo. Fazer a bola parar no meio sem Arthur vai ser um desafio e tanto daqui por diante.
Pressão sobre a diretoria
Assim como fez inúmeras vezes antes da pausa para a Copa, Luís Castro reconheceu que o time não foi bem. Para amenizar as críticas, valeu-se novamente da estratégia de separar a partida entre tempos. No primeiro foi assim, no segundo, assado. Mas o jogo é um só. A novidade ficou por conta das manifestações do executivo Paulo Pelaipe, a primeira do ano em coletiva de imprensa, e do presidente Odorico Roman. Após a partida, ambos foram ao microfones para admitir o mau desempenho e de alguma forma demonstrar empatia com a preocupação dos torcedores. A pressão chegou a níveis elevados. Impossível não reagir.
A gestão de Odorico Roman prevê um 2026 "duro", como definiu Pelaipe. As atuações cada vez piores, mas não há dinheiro para contratações de peso. Mesmo que reforços pontuais venham, não serão de grande impacto e está nas mãos de Luís Castro, ainda no cargo, dar resposta urgente. Por enquanto, a pausa da Copa não resolveu.



