Mauricio, meia-atacante do Palmeiras, se manifestou pela primeira vez desde que virou alvo de uma denúncia no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Em entrevista concedida neste domingo, depois da vitória por 3 a 0 sobre o Fortaleza, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o jogador afirmou que o contato com o rosto do zagueiro Cacá, do Vitória, não teve nenhuma intenção de agressão.
O lance ocorreu na quarta-feira passada, no Barradão, durante a goleada por 4 a 0 sobre o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro. Na ocasião, Mauricio levou apenas cartão amarelo do árbitro Alex Gomes Stefano. Mas o caso foi além do campo: o meia foi denunciado pelo STJD e pode ser suspenso por até seis jogos.
Em sua defesa pública, Mauricio usou seu histórico para argumentar que nunca foi um atleta violento. "O lance foi totalmente sem intenção, dá para ver pelo meu histórico que não sou um jogador maldoso, com vontade de machucar o adversário. Sou muito tranquilo e sei da minha índole, meus valores", disse.
O atleta ainda minimizou o episódio e reclamou da seletividade das punições no futebol brasileiro. "A gente recebe isso de uma forma muito estranha, mas não posso me estender muito sobre o assunto, porque estamos sempre sujeitos a mais punições. Fico triste, a gente vê vários lances que são parecidos, alguns têm cartão, outros não, mas não são denunciados. Estamos fazendo a defesa para que não tenha risco nenhum", completou.
O lance que gerou a denúncia
Durante o jogo no Barradão, Mauricio marcou um dos gols da goleada do Palmeiras sobre os baianos. O Vitória, porém, contestou a arbitragem em um lance específico: para o clube, o meia teria dado uma cotovelada no rosto de Cacá e deveria ter sido expulso. O árbitro Alex Gomes Stefano entendeu o contato como acidental e mostrou o cartão amarelo. O VAR também analisou a jogada e não recomendou a revisão da decisão.
A insatisfação do Vitória se tornou ainda maior depois que dois jogadores da equipe foram expulsos na sequência. Cacá recebeu o vermelho direto após uma entrada violenta em Jhon Arias. Luan Cândido, por sua vez, foi expulso por fazer um gesto de "roubo" após o primeiro cartão vermelho. Os dois, junto com o presidente Fábio Mota, também acabaram denunciados no STJD.
Punição pode chegar a seis jogos
A denúncia contra Mauricio tem como base o artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê penalidade de um a seis jogos para atletas que se envolvem em conduta violenta. O julgamento será na manhã de terça-feira, em primeira instância. Caso haja suspensão, o Palmeiras pode recorrer da decisão.
O clube acompanha o caso com atenção. Uma eventual pena de seis jogos tiraria Mauricio de parte importante da temporada, podendo afetar tanto o Campeonato Brasileiro quanto o restante da campanha na Copa do Brasil. A expectativa do departamento jurídico alviverde é apresentar uma defesa consistente para evitar qualquer tipo de punição.
Reações do outro lado
O Vitória vem defendendo publicamente que o lance entre Mauricio e Cacá deveria ter resultado em expulsão. O clube baiano também tem questionado a atuação do árbitro Alex Gomes Stefano e do VAR, o que culminou nas declarações do presidente Fábio Mota. Foi justamente por essas falas que Mota passou a ser alvo de denúncia junto ao STJD.
Enquanto isso, o Palmeiras acompanha a movimentação e prepara a defesa para a sessão de terça-feira no STJD. A diretoria alviverde confia na argumentação apresentada pelo departamento jurídico para que Mauricio não seja suspenso e possa seguir à disposição do técnico nos próximos compromissos.



