Fifa planeja vender até 20% da Copa do Mundo a investidores privados
Fifa planeja vender fatia da Copa a investidores

O plano da Fifa

A Fifa apresentou um plano para criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária responsável pela gestão comercial de suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo, a Copa do Mundo de Clubes e torneios de base. A FFE teria valor de mercado estimado em US$ 20 bilhões (R$ 102,6 bilhões) e poderia negociar até 20% de participação a investidores privados, com o objetivo de captar US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões). A ideia é ampliar as receitas da entidade e atrair capital privado para os torneios.

Quem são os investidores

Segundo o jornal The Times, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, planeja vender a fatia a um grupo que inclui Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro sênior de Donald Trump. O JP Morgan atua como assessor financeiro e o projeto conta com Greg Maffei, ex-CEO da Liberty Media, dona da Fórmula 1. Infantino afirmou que a FFE é uma proposta democrática e que, se aprovada pela maioria das 211 associações-membro, será uma subsidiária controlada pela Fifa, consolidando operações comerciais e de eventos.

Poder decisório dos investidores

A Fifa garantiu que os investidores terão apenas participação minoritária (entre 20% e 30%) e não terão poder sobre decisões esportivas ou regulatórias. A entidade manterá controle exclusivo sobre a FFE, incluindo a organização das competições e o calendário internacional. Infantino disse que a Fifa continuará a administrar o futebol sem interferência externa e que mais receitas beneficiarão as associações-membro, citando como exemplo o programa Fifa Forward que ajudou países como Cabo Verde a chegar à Copa do Mundo.

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Processo de aprovação

A proposta ainda não foi aprovada e depende do voto da maioria das 211 federações e do Conselho da Fifa. Infantino apresentou o plano na véspera da final da Copa do Mundo, em Nova York. O jornal The Telegraph informou que foi dado um prazo de 53 dias para a aprovação. Em troca, o presidente liberaria até US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões) a partir de 2027 e acesso a até 30 milhões de libras (R$ 205 milhões) por meio da FFE. Caso rejeitem, as associações que votarem contra poderão perder 75% do acesso ao financiamento.

Destinação dos recursos

Com a criação da FFE, a Fifa distribuiria imediatamente US$ 20 milhões (R$ 102,29 milhões) para cada associação que aderir ao Fifa Fast Forward Programme (FFFP). As receitas aumentariam para US$ 22 milhões (R$ 112 milhões) no ciclo 2031/2034 e US$ 24 milhões (R$ 122,75 milhões) entre 2035 e 2038. A iniciativa também é vista como um passo para o futuro de Infantino, que é favorito para ser reeleito em 2027 e poderá assumir a nova empresa em 2031.

Reação das federações

A proposta enfrenta forte oposição. A Uefa foi a primeira a se manifestar, classificando a ideia como uma linha que “não deve ser ultrapassada”. Em comunicado, afirmou que “a alma e a governança do futebol não são ativos negociáveis” e que “não cabe à Fifa vendê-lo”. A Concacaf, AFC e a Federação Inglesa também se posicionaram contra. Até o momento, a Conmebol não se manifestou. Segundo a Sky Sports, federações europeias discutem um possível boicote à Copa do Mundo de 2030, que será sediada por Espanha, Portugal e Marrocos. Uma reunião virtual deve ocorrer ainda esta semana para definir a estratégia contra a criação da FFE.

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