Fifa convoca cúpula no Marrocos após fracasso de plano comercial
Fifa convoca cúpula no Marrocos após fracasso comercial

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião de emergência da cúpula da entidade no Marrocos, marcada para os próximos dias, depois do fracasso de um ambicioso plano comercial que prometia injetar bilhões de dólares nos cofres da organização. A informação foi confirmada por fontes ligadas à entidade, que preferiram não se identificar.

Contexto do fracasso

O plano, que vinha sendo negociado há meses com um consórcio internacional de investidores, previa a criação de uma nova liga mundial de clubes, com a participação de 32 equipes e premiação recorde. A expectativa era de que o torneio gerasse receitas da ordem de US$ 2 bilhões por edição, mas as negociações ruíram nas últimas semanas, segundo relatos de bastidores.

O principal ponto de discórdia foi a distribuição dos direitos de transmissão e o modelo de governança da competição, que esbarrou em resistências de federações nacionais e clubes europeus. Sem um acordo, o consórcio decidiu retirar a proposta, deixando a Fifa sem uma das principais fontes de receita planejadas para o ciclo 2026-2030.

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Reunião no Marrocos

A reunião no Marrocos, que ocorrerá em um hotel de luxo em Casablanca, contará com a presença dos presidentes das seis confederações continentais e dos principais dirigentes da entidade. Na pauta, além do plano comercial, estarão o orçamento para a Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, e as negociações para renovação de contratos de patrocínio que expiram no próximo ano.

Segundo um dirigente que participará do encontro, a expectativa é de que Infantino apresente um plano B, com alternativas para compensar a perda de receita. "O presidente está confiante de que conseguiremos encontrar novos parceiros, mas é preciso agir rápido", afirmou, sob condição de anonimato.

Impacto financeiro e reações

O fracasso do plano já tem reflexos no mercado. A Fifa viu suas ações (que não são negociadas publicamente, mas têm títulos privados) sofrerem desvalorização de cerca de 5% nas últimas semanas, segundo analistas. Além disso, federações nacionais que contavam com repasses maiores para seus programas de desenvolvimento já começaram a cobrar explicações.

Em nota oficial, a Fifa limitou-se a dizer que "está avaliando alternativas para garantir o crescimento sustentável do futebol mundial". A entidade não comentou os detalhes do plano fracassado, nem os motivos do rompimento das negociações.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o episódio expõe a fragilidade do modelo de negócios da Fifa, que depende cada vez mais de parcerias privadas para financiar seus projetos. "A Fifa precisa diversificar suas fontes de receita, mas também precisa de mais transparência e governança", disse o economista esportivo João Paulo de Carvalho, da FGV.

Próximos passos

No Marrocos, a cúpula também deve discutir a possibilidade de lançar uma nova rodada de licitações para os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026, que ainda não foram totalmente vendidos. A expectativa é de que a competição, que terá 48 seleções, gere US$ 6 bilhões em receitas, mas parte desse valor ainda está em aberto.

Outro tema delicado será a reforma do calendário internacional, que prevê a realização de uma Copa do Mundo de Clubes a cada quatro anos, a partir de 2029. A proposta, que é um dos pilares do plano comercial fracassado, pode ser revista após a reunião.

Infantino, que está em seu terceiro mandato, deve usar o encontro para reforçar sua posição de liderança e tentar conter o desgaste político. A reunião no Marrocos, um país que sediou a última Copa Africana de Nações e tem fortes laços com a Fifa, é vista como um gesto de aproximação com o continente africano, que vem ganhando peso na entidade.

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