Seleção masculina de vôlei vive crise e precisa reconstruir base, diz Nalbert
Crise no vôlei masculino: Nalbert aponta falta de base

A seleção brasileira masculina de vôlei encerrou a fase classificatória da Liga das Nações (VNL) de 2025 na nona colocação, com sete vitórias e cinco derrotas. A eliminação inédita na primeira fase do torneio ampliou uma sequência de resultados negativos que inclui a primeira derrota em uma final de Campeonato Sul-Americano (2023), o oitavo lugar nos Jogos Olímpicos de Paris (2024) e a pior campanha da história em Campeonatos Mundiais (2025).

Nalbert critica enfraquecimento da base

Para o comentarista Nalbert, campeão olímpico em Atenas 2004, o momento ruim da equipe comandada por Bernardinho é reflexo direto do descuido com as categorias de base. “Há uma questão técnica, física e de quantidade de atletas. O segredo para o sucesso é ter uma base bem trabalhada, com investimentos. Nós nos descuidamos e estamos pagando uma conta alta. Não vejo mais tantos jovens se interessando pelo vôlei masculino e começando a jogar”, afirmou Nalbert em entrevista ao ge.

O ex-jogador destacou que, no passado, o Brasil produzia talentos em abundância. “Em Atenas, tínhamos 12 jogadores fantásticos. Outros atletas excelentes treinavam conosco, e ainda havia uma fila enorme de destaques que queriam uma vaguinha na seleção. A minha base foi espetacular, fui muito bem preparado para o profissional. Procurei o vôlei por causa de uma geração que me inspirou. Comecei a jogar, venci na seleção e também inspirei alguns meninos. Havia uma cadeia que se retroalimentava no Brasil, algo que não existe mais hoje em dia. Se a nossa seleção não faz sucesso, os jovens vão procurar outros esportes”, completou.

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Problemas antigos e falta de experiência internacional

Nalbert acredita que os problemas na base começaram há bastante tempo. O último título mundial da seleção sub-21 foi em 2011, e medalhas da equipe principal, como o ouro na Liga das Nações de 2021, podem ter mascarado as dificuldades. “As dificuldades na base fazem com que hoje tenhamos um time sem tanta rodagem internacional. Poucos jogadores conseguiram se destacar lá fora, muitos ainda estão em desenvolvimento. Não contamos com uma equipe pronta para grandes momentos, como mostraram alguns jogos da Liga das Nações. Quando chegava o fim de um set, os adversários se mostravam mais preparados para fechar, para administrar o momento decisivo. À pouca experiência, ainda se soma uma pressão natural de defender a camisa pesada da seleção brasileira”, analisou.

Próximos passos: Sul-Americano e preparação

Sem vaga na fase final da VNL, a seleção fará amistosos contra Japão e França, além de participar de um torneio na Itália com os anfitriões, Cuba e Alemanha. O foco principal é o Campeonato Sul-Americano, que ocorrerá de 15 a 20 de setembro, no Maracanãzinho, e dará ao campeão vaga nas Olimpíadas de Los Angeles. Nalbert defende que o Brasil precisa valorizar os atletas comprometidos. “Se eu fosse o Bernardinho, juntaria o grupo inteiro e perguntaria aos jogadores se estão dispostos a pagar o preço do sacrifício. Quem titubear tem que ficar de fora. Assim, com união, vão começar a construir um time de verdade. Nem sempre uma equipe vencedora é feita com os melhores jogadores, mas com o elenco certo, com quem vai dar a vida. Conquistar a vaga olímpica no Sul-Americano será essencial para dar tranquilidade no resto do ciclo”, afirmou.

Bernardinho e o futuro

Nalbert rejeita a ideia de troca no comando técnico. “Como qualquer outra liderança na estrutura da CBV, Bernardinho tem responsabilidade pelos resultados ruins. Mas ele e os auxiliares são profissionais de altíssimo nível, tarimbados e capacitados. Estão fazendo o que é necessário, na tentativa de encorpar o elenco. Precisam, claro, que a base seja fortalecida e volte a produzir jogadores em boa quantidade. Temos que aceitar que o processo será lento e que não solucionaremos todos os problemas do dia para a noite”, concluiu.

A partir desta terça-feira, Bernardinho, comissão técnica e jogadores estão reunidos em Saquarema, no Centro de Treinamento da CBV, para um longo período de treinos até 16 de agosto. Depois, a seleção viajará para amistosos no exterior, passando por Japão, Itália e França.

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