Corinthians pagou R$ 6,9 mi a programa abandonado e MP investiga
Corinthians pagou R$ 6,9 mi a programa abandonado

O Ministério Público de São Paulo enviou um ofício ao Corinthians nesta quinta-feira exigindo esclarecimentos sobre o contrato com a Incentiva Serviços Combinados, Tecnologia e Marketing Para Empresas LTDA, responsável pelo programa Fiel da Sorte. A solicitação ocorreu horas após a revelação de que o clube pagou mais de R$ 6,9 milhões à empresa, mesmo sem controle sobre as ações realizadas e sem divulgar o programa nos últimos dois anos.

Pedido do MP e prazo de resposta

O promotor Cássio Conserino, em sua manifestação, deu prazo de dez dias para o Corinthians “explicar detidamente os fatos”, sob pena de desobediência. Ele afirma que o caso tem conexão com outras investigações envolvendo o clube, como a retirada de dinheiro em espécie sem comprovantes. A denúncia que motivou o ofício partiu de um sócio do Corinthians, além da reportagem do ge.

Entenda o contrato e os pagamentos

O Fiel da Sorte foi lançado em junho de 2023 com a promessa de sorteios semanais e uma “rabiscadinha” digital para cada associado do Fiel Torcedor. O clube divulgou o programa até abril de 2024, quando deixou de fazer postagens em redes e no site. Os pagamentos, porém, continuaram: foram 34 parcelas mensais, de R$ 124.488,75 em agosto de 2023 a R$ 343.522,50 em abril de 2026, totalizando R$ 6,9 milhões. O contrato previa que a Incentiva recebesse R$ 3,75 por mês por cada novo sócio aderido após o início da parceria, independentemente do plano.

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O ex-presidente Duilio Monteiro Alves, que firmou o acordo, justificou que o objetivo era gerar receita com novos planos e criar conteúdo exclusivo. Já Augusto Melo, sucessor de Duilio, disse em áudio que não sabia do contrato. A atual diretoria, presidida por Osmar Stabile, informou que rescindiu o contrato este ano por descumprimento da Incentiva e que os pagamentos cumpridos desde junho de 2025 seguiram trâmites legais.

Empresa sem autorização e baixo custo dos prêmios

A última autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) para sorteios com o Corinthians venceu em setembro de 2024. Entre junho e setembro daquele ano, a empresa se comprometeu a sortear 65 itens no valor total de R$ 7.051,30, conforme certificado governamental. A Incentiva, que tem o Corinthians como único cliente e capital social de R$ 50 mil, passou por diversas mudanças societárias. O atual dono, João Augusto de Queiroga Vanderley, mora em Alagoas, mas a sede fica em Santana de Parnaíba (SP).

“Não sei se houve sorteio, deve ter tido promoção para fidelização de sócios”, disse o advogado da empresa sobre a operação mesmo sem autorização. Ele também afirmou que o Corinthians deixou de assinar documentos necessários para novas autorizações e que a divulgação do programa era responsabilidade do clube.

Providências e investigação interna

O Corinthians cogita solicitar uma perícia à Justiça para avaliar o ressarcimento. O clube pediu ajuda à OneFan, responsável pelo sistema do Fiel Torcedor, para verificar se os prêmios foram entregues, mas a empresa não tem esse controle. As duas últimas notas fiscais da Incentiva não foram pagas. O contrato, que duraria até 2028, foi rescindido unilateralmente pelo Corinthians, que busca indenização de R$ 3 milhões.

A Incentiva, por sua vez, alega que não foi notificada oficialmente e que a campanha operou até maio de 2026. O caso segue sob investigação do MP e da diretoria alvinegra.

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