O Ceará lançou o projeto “Formando Dribladores” com o objetivo de resgatar a essência e a inventividade do futebol brasileiro. Em entrevista exclusiva ao ge, o idealizador do programa, Hudson Ferreira, coordenador técnico das categorias de base do Alvinegro, explica a virada de chave após a Copa do Mundo.
Origem do projeto
A ideia surgiu de observações do dia a dia de trabalho, principalmente dessas discussões pós-Copa do Mundo, de resgatar a essência do futebol brasileiro, que a gente perdeu bastante nesses últimos anos. Entendemos que o drible é um recurso técnico fundamental do jogo. Então, também devemos criar ambientes que estimulem o enfrentamento individual, a criatividade e a coragem dos atletas - explicou.
Tendo grandes nomes do futebol brasileiro como referência, o projeto se inspira no futebol de rua e quer trabalhar visando preservar uma característica que sempre foi destaque no cenário nacional.
Futebol moderno e a perda da criatividade
Eu acho que o futebol que a gente tanto chama de moderno trouxe uma organização coletiva maior, linhas defensivas mais compactas e uma intensidade de jogo elevadíssima. Quando o atleta deixa de tentar, ele vai se tornando um jogador comum, jogador que o futebol europeu sempre buscou no brasileiro em atletas como Ronaldinho Gaúcho, Neymar, enfim, essa irreverência, esse drible, essa criatividade. Então, o nosso objetivo é desenvolver esse ambiente de aprendizagem, que o jogador possa desenvolver esse recurso, mas, lógico, sempre com responsabilidade, sempre entendendo qual é a melhor tomada de decisão para aquele momento - contou Hudson.
Importância do drible
Questionado sobre a importância de os atletas contarem com este recurso, que é o drible, Hudson explicou que o atleta ganha repertório e que, consequentemente, se torna um atleta mais valorizado.
O atleta ganha repertório. Acho que o atleta que tem o maior repertório é um atleta mais valorizado e mais preparado para as dificuldades de um jogo de futebol. Em algum momento que vai estar pressionando, outra hora é que vai estar saindo em transição, em contra-ataque. Então, ele aprende diferentes soluções para resolver os problemas do jogo - disse.
Às vezes, a melhor decisão será o passe, em outros momentos será finalizar, em outros será o cruzamento, em outro será a jogada individual, que a defesa está muito fechada. Enfim, quanto maior repertório esse atleta tiver, mais bem preparado ele vai estar para poder jogar em diferentes situações e contextos - completou.
E os resultados?
O projeto terá como base de avaliação a competição, com dinâmicas semanais, torneios e desafios. Serão implementados nos treinos momentos de X1 (um contra um), com 10 a 15 minutos em todos os treinos.
Como a ideia do projeto é focar do sub-10 ao sub-15, então nós teremos algumas dinâmicas semanais de torneios internos de X1, torneios de um contra dois, desafios de finalizações, vão ser computados o maior número de dribles, maior número de gols em treinos para a gente ter um acompanhamento. Lembrando que, quando a gente faz um trabalho de um contra um, a gente está treinando não só quem está atacando, também está treinando quem está defendendo. A gente entende que o objetivo principal do projeto é o estímulo e o incentivo que a gente tem a atletas que possam resolver partidas - finalizou Hudson.
Base de pensamento do projeto
- Momento X1: 10 a 15 minutos em todos os treinos
- Atividades: X1 em corredor; X1 costas para o gol; X1 com perseguição; X1 após domínio; X1 em velocidade.
Competições internas
- Ranking semanal dos melhores no duelo individual.
- Premiação e reconhecimento;
- Torneios semanais;
- Finalização de cruzamentos, rebatidas e precisão.
Bônus
- Gol após vencer um X1 = 2 pontos;
- Gol após vencer dois adversários no mesmo lance = 3 pontos.
Indicadores de avaliação
- X1 tentados;
- X1 vencidos;
- Dribles certos;
- Finalizações após drible;
- Assistências após X1;
- Faltas sofridas.
O projeto conta ainda com 50 vídeos de referência para os atletas.



