CBF investiga Lucho Acosta por suspeita de manipulação em cartão amarelo
CBF investiga Lucho Acosta por suspeita de manipulação

Alerta da Fifa e encaminhamento às autoridades

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebeu da Fifa um alerta sobre suspeita de manipulação esportiva relacionada ao cartão amarelo recebido por Lucho Acosta, do Fluminense, na partida contra o Bragantino, no dia 17 de julho, pelo Campeonato Brasileiro. A entidade encaminhou as informações às autoridades públicas — Polícia Federal e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — e aos órgãos disciplinares esportivos: Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD), Procuradoria-Geral junto ao STJD e Comissão de Ética do Futebol Brasileiro. O procedimento é padrão da entidade em casos de suspeita de manipulação esportiva.

O alerta foi emitido pela Sportradar, empresa de monitoramento contratada pela Fifa, que identificou uma movimentação anormal de apostas nas plataformas. A CBF, então, seguiu um protocolo interno para comunicar as autoridades criminais e esportivas em até 72 horas. As autoridades públicas, como o Ministério Público, têm os poderes necessários para aprofundar a investigação, podendo solicitar à Justiça medidas cautelares como a extração de dados telemáticos — registros digitais de comunicações e atividades de celulares, computadores e serviços de internet.

O caso de Lucho Acosta

O Fluminense confirmou o recebimento da notificação e informou que Acosta nega qualquer envolvimento. O jogador argentino segue treinando e sendo relacionado normalmente enquanto as investigações estão em andamento, e deve atuar nesta quarta-feira contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro. A defesa do jogador aguarda o envio do relatório detalhado da Fifa para entender melhor o cenário e definir os próximos passos.

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O cartão amarelo foi aplicado nos minutos finais da partida contra o Bragantino, durante uma confusão que resultou nas expulsões de John Kennedy, do Fluminense, e Agustín Sant’Anna, do clube paulista. Em caso de denúncia, Acosta poderá ser enquadrado nos artigos 243, que trata da atuação deliberadamente prejudicial à equipe, e 243-A, referente à prática contrária à ética desportiva com o objetivo de influenciar o resultado, ambos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

Como funciona o monitoramento de apostas

A CBF firmou no ano passado um novo contrato com a Sportradar para o monitoramento de um pacote de 8,2 mil partidas, elevando para mais de 10 mil o número de jogos acompanhados anualmente no futebol brasileiro. Uma partida passa a ser considerada suspeita quando é identificada uma movimentação anormal no mercado de apostas. O alerta pode estar relacionado, por exemplo, ao número de escanteios no primeiro tempo, à quantidade de gols ou à aplicação de um cartão amarelo.

A investigação tem início a partir da identificação de um volume incomum de apostas, e não da percepção de um suposto comportamento estranho de determinado jogador. No entanto, mesmo uma movimentação elevada não é suficiente para comprovar a ocorrência de manipulação, já que o comportamento do mercado pode ser explicado por fatores externos. Isso ocorre, por exemplo, quando uma equipe escala jogadores reservas e deixa de ser favorita, ou quando um atleta pendurado pode tentar forçar um cartão para cumprir suspensão em uma partida menos importante e ficar disponível para um compromisso mais relevante.

Procedimento da CBF e possíveis sanções

Ao receber os relatórios, a CBF segue um procedimento padrão de encaminhamento às instâncias competentes. Suspeitas relacionadas a partidas de competições nacionais são repassadas ao STJD. Nos casos de Campeonatos Estaduais, as informações são enviadas às respectivas federações, que as encaminham aos Tribunais de Justiça Desportiva. A apuração é feita tanto pelos órgãos esportivos quanto pelas autoridades criminais, garantindo uma investigação completa.

Caso a denúncia seja formalizada e Acosta seja considerado culpado, as penalidades podem incluir suspensão e multa, de acordo com os artigos do CBJD. O caso segue em investigação, e novas informações devem surgir com o relatório detalhado da Fifa.

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