CBF investiga cartão amarelo de Lucho Acosta por suspeita de manipulação em apostas
CBF investiga cartão de Lucho Acosta por suspeita de manipulação

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) instaurou uma investigação sobre o cartão amarelo recebido pelo meia Lucho Acosta, do Fluminense, na partida contra o Bragantino, no último dia 17, pelo Campeonato Brasileiro. O movimento ocorreu após um relatório preliminar apontar um volume anormal de apostas no cartão do jogador argentino, levantando suspeitas de manipulação. A entidade já notificou o clube de forma sigilosa e encaminhou as informações às autoridades públicas e aos órgãos disciplinares desportivos, seguindo o protocolo padrão para casos do tipo.

Investigação da CBF e relatório de apostas

De acordo com o setorista Giba Perez, a CBF recebeu o alerta de uma agência de monitoramento contratada pela Fifa, que identificou movimentações atípicas nas apostas relacionadas ao cartão amarelo de Acosta. O relatório preliminar já foi enviado, e um documento mais completo está sendo elaborado, detalhando os valores movimentados, a localização geográfica das apostas e dados dos apostadores. Essas informações serão cruciais para determinar se houve envolvimento do jogador com as apostas.

O lance que gerou o cartão amarelo ocorreu durante uma confusão na partida entre Fluminense e Bragantino, que terminou empatada em 1 a 1. Acosta nega qualquer irregularidade, e o Fluminense decidiu mantê-lo em treinos e jogos enquanto a investigação estiver em andamento.

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Passos seguintes na esfera cível e desportiva

Na esfera cível, o Ministério Público (MP) dará início à investigação assim que receber os documentos da CBF. Caberá ao MP analisar se há indícios suficientes para apresentar denúncia à Justiça. Um caso semelhante ocorreu em 2023, quando o atacante Ênio, então no Juventude e hoje na Chapecoense, foi denunciado pelo MP por fraude e manipulação de competição esportiva, além de lavagem de bens. A denúncia foi aceita pela Justiça do Rio Grande do Sul, e Ênio tornou-se réu em abril deste ano.

No âmbito desportivo, o processo tramita no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O relatório da CBF gera uma notícia de infração, que abre um inquérito com prazo de 15 dias para conclusão. Durante esse período, são solicitadas provas e informações à Polícia Federal e ao Ministério Público. Ao final, o relator decide se há indícios de infração ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Caso opte pelo indiciamento, o caso segue para a Procuradoria do STJD, que oferece a denúncia. É importante destacar que o CBJD prevê um prazo de 60 dias para a pretensão punitiva disciplinar da Procuradoria; se a denúncia não for apresentada nesse intervalo, ocorre a extinção da punibilidade.

Casos anteriores e possíveis punições

O caso mais recente de manipulação envolvendo cartões no futebol brasileiro é o de Bruno Henrique, atacante do Flamengo. Em 2023, ele foi denunciado pela Procuradoria do STJD por forçar um cartão amarelo em uma partida contra o Santos, no Mané Garrincha, pelo Brasileirão. A investigação começou com a Polícia Federal. Bruno Henrique foi condenado inicialmente a 12 jogos de suspensão, com base nos artigos 243 (atuar deliberadamente de modo prejudicial à equipe) e 243-A (atuar de forma contrária à ética desportiva para influenciar resultado). Após recurso do Flamengo, a pena foi substituída por multa de R$ 100 mil. Na Justiça do Distrito Federal, ele responde por estelionato.

Se Lucho Acosta for condenado no STJD, poderá receber suspensão semelhante. A pena pode variar de multa a suspensão de 180 a 360 dias, ou de 6 a 12 partidas, dependendo da gravidade e do artigo infringido.

Situação atual de Lucho Acosta

Enquanto a investigação segue em sigilo, Lucho Acosta está liberado para atuar. Ele se concentrou para a partida contra o Bahia, nesta quarta-feira, às 21h30, no Maracanã, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Fluminense não afastou o jogador e aguarda os desdobramentos dos órgãos competentes.

A CBF, o MP e o STJD atuam em conjunto para esclarecer os fatos e, se comprovada a manipulação, punir os responsáveis. O caso de Acosta acende novamente o alerta para a integridade do futebol brasileiro e a necessidade de monitoramento constante das apostas esportivas.

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