Julio Casares deixa conselho do São Paulo após gastos de R$1 milhão
Casares deixa conselho após gastos de R$1 milhão

O ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, entregou nesta terça-feira o cargo no Conselho Deliberativo do clube e comunicou seu afastamento do Conselho Consultivo e do quadro associativo. A decisão ocorre um dia antes da audiência dele na Comissão de Ética, marcada para quarta-feira, em meio a investigações por possível gestão temerária e irregularidades durante sua gestão (2021-2025).

Saída do Conselho e do quadro associativo

Em uma "carta aberta ao Tricolor", Casares anunciou o desligamento do quadro de sócios do São Paulo, entregando também seu título de associado. No entanto, o Estatuto Social do clube estabelece que "não será aceito pedido de demissão do Quadro Associativo, quando o Associado for objeto de procedimento administrativo disciplinar, até a conclusão de tal procedimento". A equipe jurídica de Casares, porém, argumenta que ele não tem obrigação de permanecer no clube enquanto responde ao processo, baseando-se no direito constitucional de livre arbítrio para comunicar o desligamento. Apesar da saída, o processo administrativo disciplinar continua e o julgamento pode ocorrer à revelia.

A defesa de Casares solicitou acesso aos documentos da acusação para preparar sua defesa, mas alega que o pedido foi negado. A informação sobre o pedido de saída foi divulgada primeiramente pelo Uol e confirmada pelo ge.

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Gastos milionários com cartão corporativo

Na semana passada, o ge revelou que Julio Casares gastou R$ 1 milhão com o cartão corporativo do São Paulo entre 2021 e 2025. Entre as despesas, destacam-se 71 visitas à mesma casa de charutos, 53 pagamentos a um mesmo restaurante de luxo e compras em lojas de grife, como a Prada. As despesas foram registradas durante o período em que ele presidia o clube.

Além disso, testemunhas afirmam que Casares retirava cerca de R$ 100 mil em espécie por mês, conforme reportado pelo ge. Esses valores alimentam a suspeita de irregularidades financeiras no clube.

Investigação policial e do Ministério Público

Casares também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por possível lavagem de capitais e envolvimento em um esquema de exploração clandestina de um camarote do Morumbis em dias de shows. A investigação corre em sigilo, mas o ex-presidente nega as acusações.

A Comissão de Ética do São Paulo deve analisar os gastos e as denúncias de gestão temerária. Casares já havia sido alvo de críticas de conselheiros durante sua gestão, e a revelação dos gastos com o cartão corporativo intensificou a pressão por sua saída.

Próximos passos

Embora tenha se desligado do quadro associativo, Casares ainda pode ser julgado pelo Conselho Deliberativo e pela Comissão de Ética, que prosseguem com o processo independentemente de sua saída. O ex-presidente não comentou publicamente a decisão de deixar o conselho, mas sua defesa afirma que ele seguirá colaborando com as investigações.

A situação de Casares coloca o São Paulo em mais um capítulo de turbulência fora de campo, enquanto o clube busca se reestruturar financeiramente e focar no futebol. A repercussão dos gastos e das investigações deve continuar nos próximos dias, com novas revelações sobre o uso do cartão corporativo e outros possíveis desvios.

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