Atacante do Haiti fugiu da guerra no Irã para jogar a Copa do Mundo
Atacante do Haiti fugiu da guerra no Irã para jogar a Copa

A trajetória do principal atacante da seleção do Haiti até a Copa do Mundo é marcada por uma fuga dramática da guerra no Irã. Duckens Nazon, maior artilheiro da história da equipe nacional, com 44 gols em 78 partidas, precisou deixar o país após o início dos bombardeios para poder disputar o torneio.

Fuga em meio aos bombardeios

Nazon atua pelo Steglau, clube sediado no Irã. Em fevereiro, quando os primeiros bombardeios de Israel e dos Estados Unidos atingiram o país, ele estava prestes a embarcar para a Europa. Segundo relato do jogador à emissora Rede DRM, todos os passageiros tiveram de deixar a aeronave ainda na pista após o fechamento do espaço aéreo. A guerra havia começado.

A partir daquele momento, Nazon disse que entrou em "modo de sobrevivência". Para deixar o país, enfrentou uma viagem de sete horas de carro até a fronteira com o Azerbaijão. No caminho, chegou a passar dois dias dormindo na rua até conseguir atravessar a fronteira e seguir viagem.

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Motivação em campo

Agora, o atacante tenta transformar a experiência em motivação dentro de campo. Nesta sexta-feira, ele será uma das principais armas do Haiti contra o Brasil pela Copa do Mundo. A trajetória de Nazon é uma das histórias que mostram como o Mundial vai além das quatro linhas.

Uniforme vetado pela Fifa

A própria seleção haitiana precisou alterar seu uniforme durante a competição. A Fifa vetou a camisa original da equipe porque ela trazia a imagem da Batalha de Vertières, confronto considerado decisivo para a independência do Haiti no início do século XIX. A entidade argumentou que mensagens de caráter político não são permitidas nos uniformes das seleções. Por causa da restrição, os haitianos estrearam na Copa com um novo modelo de camisa.

Outras seleções também encontraram formas de fazer referências a acontecimentos recentes. Os jogadores do Irã, por exemplo, chegaram ao Mundial usando broches com o número 168, em homenagem às vítimas de um bombardeio dos Estados Unidos contra uma escola durante a guerra no Oriente Médio.

Dentro e fora de campo, a Copa do Mundo tem servido como palco para histórias marcadas por conflitos, superação e simbolismos que ultrapassam o futebol.

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