América Latina divide-se: por que brasileiros, mexicanos e colombianos torcem pela Espanha na final contra a Argentina?
América Latina divide-se: torcida pela Espanha contra Argentina

A final da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha, marcada para este domingo, revela uma divisão inusitada na torcida latino-americana. Enquanto a Argentina busca o bicampeonato, boa parte dos torcedores de Brasil, México, Colômbia e Chile declara apoio à seleção espanhola. As razões vão desde rivalidades históricas no futebol até alegações de favorecimento da Fifa e questões políticas.

Rivalidade histórica e rivalidades regionais

Para muitos brasileiros, torcer contra a Argentina é quase uma tradição. A rivalidade entre as duas seleções é uma das mais intensas do futebol mundial. “Não consigo torcer para a Argentina, mesmo que seja contra a Espanha. A rivalidade é maior que tudo”, afirmou o analista esportivo Carlos Mendes, em entrevista ao UOL. O mesmo sentimento ecoa entre colombianos e chilenos, que têm suas próprias histórias de confrontos acirrados com a albiceleste.

Percepção de favorecimento da Fifa

Outro fator citado por torcedores é a suposta influência da Fifa em benefício da Argentina. “Parece que a Argentina sempre tem a arbitragem a favor, especialmente em Copas do Mundo. Isso incomoda muita gente”, disse o mexicano Juan Pérez, torcedor da seleção mexicana. A percepção de que a entidade máxima do futebol favorece a Argentina ganhou força após decisões polêmicas em partidas anteriores, como o pênalti não marcado contra a França nas quartas de final.

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Questões políticas e identificação ideológica

A polarização política na América Latina também influencia a escolha dos torcedores. Para alguns, a Argentina de Lionel Messi representa um estilo de jogo associado a governos de esquerda, enquanto a Espanha seria vista como mais alinhada a valores conservadores. “Há uma rejeição ao ‘estilo argentino’ que vai além do futebol, envolvendo a figura de Messi e sua postura política”, comentou a cientista política Maria Fernanda Silva, da Universidade de São Paulo.

Messi defende a integridade da equipe

Em resposta às críticas, Lionel Messi, capitão da Argentina, defendeu a equipe em entrevista coletiva. “Nós ganhamos em campo, com fair play. As acusações de favorecimento são infundadas. Respeitamos todos os adversários, mas não podemos controlar o que dizem fora de campo”, afirmou o craque. Messi também destacou a união do grupo e o foco na partida decisiva.

Impacto nas redes sociais e pesquisas

Pesquisas informais nas redes sociais mostram que, entre brasileiros, o apoio à Espanha chega a 68%, segundo levantamento do perfil ‘Torcida Global’ no Twitter. No México, o índice é de 55%, e na Colômbia, 52%. Apenas no Chile, o apoio à Argentina supera 50%, mas ainda assim a divisão é acirrada.

O que está em jogo na final

A final deste domingo, no estádio MetLife, em Nova Jersey, EUA, coloca frente a frente a campeã de 2022 (Argentina) e a campeã de 2010 (Espanha). A partida terá transmissão ao vivo para todo o mundo e promete ser um dos jogos mais assistidos da história. Para os torcedores latino-americanos que não apoiam a Argentina, a esperança é que a Espanha leve o título, quebrando a hegemonia sul-americana na Copa.

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