Espanha e Argentina se enfrentam às 16h (horário de Brasília) na final da Copa do Mundo FIFA 2026. O Gato Mestre, em parceria com o economista Bruno Imaizumi, apresenta o potencial de cada resultado, destacando que a Argentina é a seleção com mais viradas e mais gols nos acréscimos do segundo tempo. O Gato Mestre aumentou sua vantagem sobre o Supercomputador ao acertar o resultado da semifinal.
Desempenho ofensivo: Argentina finaliza mais de frente para o gol
Nenhuma outra seleção fez tantas finalizações da meia-lua ou da frente da meia-lua quanto a Argentina. Em comparação com a Espanha, a Argentina fez o dobro de finalizações dessa região (29 contra 14), com cinco gols argentinos, incluindo o gol de empate contra a Inglaterra nas semifinais. A Espanha não marcou nenhum gol dali. De todas as 111 finalizações argentinas, 80 (72%) foram feitas da pequena área, da frente da pequena área, da meia-lua ou da frente da meia-lua, a faixa central de frente para o gol. A Argentina marcou desses setores 16 de seus 18 gols.
Considerada por muitos como uma seleção visceral, a Argentina tem um plano de jogo muito claro: em seu ritmo lento, preparar as jogadas para finalizar o máximo possível de frente para o gol. A concentração de finalizações de frente para o gol é tamanha que foi produzido um quadro interativo onde é possível selecionar apenas as finalizações de uma das seleções e filtrar por gols. Fica evidente como a Espanha marcou todos os seus gols de dentro da área, enquanto a Argentina arrisca mais de longe.
Números totais: eficácia argentina contra defesa espanhola
Após sete partidas, Espanha e Argentina tiveram produção ofensiva muito próxima: os espanhóis fizeram 115 finalizações (16,4 por jogo, sétima média) e os argentinos 111 (15,9, oitava média). O número de finalizações certas foi similar: Espanha 44, Argentina 45. No número de gols, a Argentina sobra: marcou 18 e ainda ganhou um gol contra de presente; a Espanha fez 12 e ganhou um contra. Os argentinos marcaram um gol a cada 6,2 tentativas (sem contar o gol contra), sexta melhor eficiência; os espanhóis, um a cada 9,6 (29ª marca).
A chave do jogo é a eficácia argentina contra a resistência defensiva da Espanha, que sofreu apenas um gol em 47 conclusões contrárias (maior marca da Copa), enquanto a Argentina sofreu um gol a cada 7,6 conclusões contrárias (27ª marca), com 53 finalizações e sete gols sofridos. Foram apenas 11 finalizações certas contra os espanhóis (média 1,6 por jogo, segunda melhor marca) e 16 certas contra os argentinos (2,3 por partida, quarta melhor marca).
Jogo aéreo argentino e passes rasteiros espanhóis
Brilham os meias ofensivos e os atacantes, mas o trabalho defensivo da Espanha até aqui é extraordinário, a ponto de não deixar a França jogar nas semifinais. Em momentos de aperto, a Argentina pressiona com cruzamentos altos: fez 17 (média 2,4, segunda maior da Copa) e marcou quatro gols assim. Dos 19 gols da Argentina na Copa (contando o contra), oito foram marcados a partir de jogadas aéreas, e todos esses oito gols foram marcados quando a equipe empatava ou perdia. Como comparação, os argentinos fizeram também oito gols em jogadas rasteiras, e o time já vencia a partida em quatro deles (a metade) e em quatro empatava ou perdia. Não é exagero dizer que, sob pressão, a Argentina recorre ao jogo aéreo.
A Espanha busca a vitória trocando passes rasteiros: de seus 13 gols, dois foram aéreos, e o time já vencia quando fez ambos; fez nove de seus 13 gols em bolas rasteiras e, desses nove, estava empatando em seis e já vencia em três. A Espanha não esteve perdendo em nenhum momento nesta Copa, e esse pode ser um ponto a favor da Argentina, que já lidou mais com momentos críticos neste mundial. Dos 19 gols da Argentina, seis foram marcados no primeiro tempo (32%); dos 13 gols da Espanha, sete foram conquistados no primeiro tempo (54%).
Evolução do xG e projeção para a final
A Espanha fez dez finalizações contra a França, cinco de dentro da área (inclusive os dois gols, o primeiro de pênalti), com potencial estatístico para 1,33 gol. Foi mais eficiente do que o esperado e conseguiu marcar dois gols, assegurando a classificação. Foram 14 finalizações da Argentina contra a Inglaterra, seis de dentro da área, com potencial estatístico para 1,32 gol. Foi mais eficiente do que o esperado e marcou dois gols.
A projeção parte de uma combinação de parâmetros de ataque e defesa que o modelo usa para estimar, jogo a jogo, as probabilidades de cada resultado ocorrer e, consequentemente, as chances de cada seleção avançar. O modelo empregado segue uma distribuição estatística chamada Poisson Bivariada, que calcula as probabilidades de eventos (os gols de cada equipe) acontecerem dentro de um certo intervalo de tempo. Para chegar às previsões, foi empregado o método de Monte Carlo, baseado em simulações massivas. O estudo foi desenvolvido a partir de dados de diversas fontes como Globo, FIFA, Opta, Transfermarkt e FBref.
As métricas de xG, consagradas internacionalmente na análise do futebol, consideram as características de cada finalização, como distância, ângulo e número de adversários entre a bola e a linha do gol. De cada cem finalizações da meia-lua, sete acabam virando gol. Assim, uma finalização desse local tem expectativa de 7% de virar gol, registrado como 0,07 xG. Cada finalização tem um potencial, e o potencial de cada uma é somado para determinar o nível de ameaça imposto pelas equipes em cada partida.
*A equipe do Gato Mestre é formada pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.



