Visivelmente abatido antes mesmo de iniciar a entrevista coletiva, o técnico Mazola Júnior assumiu a responsabilidade pela derrota do Ituano por 3 a 1 para a Ferroviária, neste domingo, no estádio Novelli Júnior, pela Série C do Brasileiro. O resultado ampliou para seis a sequência de partidas sem vitória do Galo de Itu e complicou a situação da equipe na luta pela classificação.
Mazola lamenta queda de rendimento e erros recorrentes
Ao analisar o momento vivido pelo clube, Mazola lamentou a queda de rendimento justamente na reta decisiva da primeira fase e voltou a citar a falta de efetividade ofensiva e os erros defensivos. — É muito ruim. Momento decisivo de classificação e realmente perdemos a nossa efetividade na frente. Mais uma vez tomamos um gol numa falha inaceitável, inadmissível. Primeira vez tudo bem, a segunda, a terceira, aí já passa da quarta. É um acumular de erros e um acumular de falta de discernimento para botar a bola para dentro. — Tudo isso somado, acumulado à falta de resultado. Realmente pesou bastante essa falta de resultado. Vamos ver agora, temos 15 dias para preparar a reta final, que vai ficar muito mais difícil do que tinha se desenhado.
Falta de vitórias afeta aspecto emocional, diz treinador
Questionado sobre a entrada desligada da equipe na partida, o treinador afirmou que a falta de vitórias pode estar afetando o aspecto emocional do elenco, mas voltou a assumir a responsabilidade. — Talvez já estejam sentindo a falta de vitórias. O aquecimento foi maravilhoso, o trabalho durante a semana foi muito bom. Agora lá dentro, quem joga são os jogadores. Tentamos de tudo, mas infelizmente não fomos eficazes e, mais uma vez, pagamos o preço por uma ingenuidade defensiva inaceitável. Contra o mesmo adversário, mesma situação, mesmo jogador. O maior responsável sou eu, com certeza, e vamos continuar trabalhando, se assim a diretoria entender.
Alternativas passam por mudanças no elenco ou no comando
Mazola também foi perguntado se o Rubro-negro precisa se reinventar para voltar a vencer. Segundo ele, as alternativas passam por mudanças no elenco ou até mesmo no comando técnico. — Para se reinventar existem duas situações: ou novas peças, ou novo comando. Estamos fazendo de tudo. Tudo o que eu tenho de conhecimento em termos de trabalho, estou entregando com minha comissão técnica. Eu nunca estive tão confiante no trabalho da minha comissão técnica como estou aqui no Ituano. Só que o poder de decisão é do jogador. Toda semana fazemos dois ou três trabalhos de finalização. — Tudo o que aconteceu no primeiro gol da Ferroviária foi trabalhado, mostrado, aconteceu conosco na primeira mão e volta a acontecer. Das duas, uma: ou o trabalho não está sendo suficiente, ou quem está aí não está tendo competência para executar toda a orientação dada.
Comparação com temporada passada e evolução do time
O treinador também rebateu a comparação com a campanha da temporada passada, quando o Ituano também perdeu força na reta final, e avaliou que, apesar dos resultados, a equipe atual joga melhor. — Na realidade é mais uma situação de resultado do que do jogo jogado. No ano passado era diferente, não jogávamos bem nem quando vencíamos. Esse ano não. Acho que o Ituano joga mais futebol, cria mais oportunidades e tem um grupo mais qualificado. — O problema é que a Série C evoluiu, os outros times também evoluíram. Tivemos três ou quatro resultados por muita falta de competência nossa, de efetividade, mais do que pelo jogo jogado.
Expulsão de Neto Berola e preparação para o Brusque
Sobre a expulsão de Neto Berola, que recebeu o segundo cartão amarelo após simular um pênalti, Mazola reconheceu que a arbitragem acertou na decisão e descartou qualquer reclamação. — Não podemos querer transferir a responsabilidade para a arbitragem. Hoje não. O erro foi nosso e a responsabilidade maior é minha. E a Ferroviária está de parabéns. Quatro vezes contra nós, ganhou duas e empatou uma. Está mais do que provado que o time deles é melhor que o nosso.
Sem Neto Berola e também sem Tiaguinho, ambos suspensos, o treinador projetou o duelo diante do Brusque, após a pausa de 15 dias no calendário. — Teremos um amistoso contra o Remo e vamos continuar preparando a equipe. Não temos o Neto, mas temos opções como Alason, Stefanello e Léo Passos. Também não teremos o Tiaguinho. Vamos tentar recuperar os pontos que perdemos em casa. Hoje estamos com sete pontos negativos e apenas cinco positivos. Uma vitória lá iguala a régua novamente. O campeonato está muito parelho.
Bruno Mezenga e o problema na finalização
Por fim, Mazola respondeu sobre a possibilidade de utilizar Bruno Mezenga em uma função mais recuada, como armador. Apesar de considerar a sugestão válida, explicou que o principal problema da equipe está na conclusão das jogadas. — Não deixa de ser uma boa sugestão, ele entrou no jogo hoje porque precisávamos de um cara de referência dentro da área. O Mezenga foi contratado para fazer gols, não para armar o time. Infelizmente, por mais que tenha trabalhado, e é um baita de um profissional, não deu certo. Não está dando certo. Foi um grande investimento que fizemos. Infelizmente, a bola dele não entrou, isso gerou uma falta de confiança no jogador, mesmo com a experiência que ele tem. Hoje nós não temos aquele goleador que pretendíamos para resolver os problemas. — Essa sugestão, como armador, já acho que é uma situação de 'cobre o pé e descobre a cabeça' porque o nosso problema não é na armação, criamos demais. O problema maior, no nosso modo de entender, é na finalização. Vamos trabalhar, tentar ver, se conseguimos ter uma prestação melhor do Mezenga, porque até o momento, a coisa não funcionou. Vamos ver se resolvemos o problema da nossa armação, com os meninos que estão aí.
O Galo de Itu volta a campo no último domingo de julho, dia 26, às 16h, contra o Brusque, na Arena Simon, em Santa Catarina, pela 15ª rodada da Série C.



