Mercado acionário brasileiro sobe com alívio externo
O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira (15), impulsionado pelo bom humor nos mercados globais após a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos. O índice da B3 subia 0,8% por volta das 11h, aos 128.500 pontos, acompanhando o avanço das bolsas de Nova York.
O dólar comercial acelerava as perdas e caía abaixo de R$ 5,10, cotado a R$ 5,08, com queda de 1,2%. A moeda americana reflete a leitura de que o Federal Reserve pode cortar juros em setembro, após o CPI de junho vir abaixo do esperado.
Inflação americana surpreende e alimenta apostas em corte de juros
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 0,1% em junho na comparação mensal, ante expectativa de 0,2%. Na base anual, a inflação desacelerou para 3,0%, contra 3,1% esperado. O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,1% no mês, também abaixo do consenso.
"Os dados reforçam a narrativa de que a inflação americana está cedendo, abrindo espaço para o Fed iniciar o ciclo de afrouxamento monetário já em setembro", afirmou André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.
Petróleo salta com tensões geopolíticas
No mercado de commodities, o petróleo tipo WTI saltava mais de 2% e superava os US$ 80 o barril, com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O mercado teme interrupções no fornecimento da região do Golfo Pérsico.
"O risco geopolítico continua elevado e qualquer perturbação na oferta pode impulsionar ainda mais os preços", destacou a analista de energia da XP, Camila Prado.
Bancos americanos superam projeções
No front corporativo, os grandes bancos americanos divulgaram resultados trimestrais acima do esperado. O JPMorgan Chase reportou lucro de US$ 13,1 bilhões no segundo trimestre, alta de 25% ante o mesmo período de 2025, superando as estimativas. O CEO Jamie Dimon alertou, no entanto, para riscos geopolíticos e inflação persistente.
O Goldman Sachs lucrou US$ 6,6 bilhões no trimestre, também acima das projeções, e aprovou aumento do dividendo trimestral. O Citigroup superou as expectativas, mas sinalizou ventos contrários na divisão de cartão de crédito.
Agenda doméstica: MP do frete e cashback do IR
No Brasil, o governo tenta acordo para votar a Medida Provisória do frete, que trata do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas, para superar a pressão dos caminhoneiros. A MP pode gerar impacto fiscal relevante.
Na área fiscal, a Receita Federal paga nesta terça-feira o cashback do Imposto de Renda para contribuintes que tiveram restituição a receber. O valor médio é de R$ 1.200, segundo a Receita.
Renda fixa: novas emissões e cuidados
No mercado de renda fixa, a nova febre dos títulos atrelados ao CDI continua atraindo investidores, com ofertas que chegam a CDI+5%. Especialistas alertam, porém, para a necessidade de avaliar o risco de crédito das emissoras. "Não basta olhar para o prêmio; é preciso analisar a saúde financeira da empresa", afirma Renato Oshiro, analista da Empiricus.
O Tesouro Direto também está sob holofotes: com a queda dos juros futuros, a taxa do IPCA+ caiu para perto de 6% ao ano, levantando dúvidas sobre uma possível intervenção do Tesouro Nacional para limitar as emissões. "Se o Tesouro puxar o gatilho da intervenção, o investidor pode perder a oportunidade de comprar títulos com prêmios elevados", comenta a estrategista de renda fixa do BTG Pactual, Renata Coutinho.



