Impedimento semiautomático estreia no Brasileirão e já gera polêmica e ajustes
Impedimento semiautomático estreia no Brasileirão e gera polêmica

O impedimento semiautomático, antes restrito à Copa do Mundo e às principais ligas europeias, fez sua estreia no Campeonato Brasileiro neste fim de semana. Bastou uma rodada para que a nova tecnologia gerasse polêmica e forçasse a CBF a fazer ajustes. Ao todo, foram cinco checagens, sendo a de maior repercussão no empate em 1 a 1 entre Flamengo e São Paulo, no Maracanã. O gol de Samuel Lino, nos minutos finais, foi anulado após o sistema identificar que Wallace Yan estava em posição irregular no início da jogada por uma ponta da chuteira.

Ajustes após reclamações

Torcedores reclamaram que o momento do passe não foi apresentado na animação. Em resposta, a CBF decidiu que, nas próximas rodadas, também exibirá o instante do toque na transmissão para evitar desconfiança, segundo o Uol. “A CBF esclarece que o sistema usado no Brasil opera com captura de imagens a 100 quadros por segundo e identifica automaticamente o exato instante do último contato do jogador com a bola, o chamado ponto de contato”, explicou a entidade.

Diferenças tecnológicas entre CBF e Fifa

Embora tenham o mesmo nome e a mesma finalidade, a tecnologia adotada pela CBF não é totalmente igual à da Fifa. O sistema implementado pela CBF foi desenvolvido pela Genius Sports e automatiza boa parte do processo antes feito manualmente pelos operadores do VAR. Entre 28 e 32 câmeras de celulares de última geração foram espalhadas nos 20 estádios contemplados, captando 100 quadros por segundo para analisar o movimento da bola e fazer o mapeamento dos atletas. Por meio de inteligência artificial, são identificadas as linhas de impedimento. O objetivo é reduzir o tempo de análise e eliminar a interferência humana no traçado das linhas.

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Na Copa do Mundo, o processo é mais minucioso. O sistema da Fifa, desenvolvido pela Hawk-Eye, combina rastreamento óptico dos atletas com um sensor instalado dentro da bola, capaz de transmitir sua posição 500 vezes por segundo. São utilizadas 12 câmeras dedicadas para monitorar até 29 pontos corporais de cada jogador cinquenta vezes por segundo. Esse conjunto permite identificar automaticamente não apenas a posição dos atletas, mas também o instante exato em que a bola é tocada pelo último jogador.

Imagens distintas e reclamações

Foi justamente a ausência do sensor na bola que gerou reclamação entre os torcedores após o jogo do Flamengo. Na Copa do Mundo, a animação exibida nas transmissões mostrava uma reconstrução tridimensional detalhada do lance, com indicação precisa do momento do passe e da posição dos jogadores. No Brasileirão, embora exista uma animação gráfica, o momento do toque ainda é determinado pelas imagens captadas pelas câmeras, e não por um dispositivo instalado na bola — segundo a empresa responsável, a quantidade de material capturado compensa. A posição dos atletas é calculada automaticamente, mas o sistema depende da leitura óptica para definir o frame exato do passe. A imagem transmitida no telão também não capta o exato momento do passe, mostrando apenas as linhas traçadas.

Comunicação do VAR e autonomia dos assistentes

Na Copa do Mundo, graças à velocidade da tecnologia, os árbitros assistentes eram comunicados em tempo real se havia ou não impedimento, podendo levantar ou não a bandeira. No Brasileirão, os auxiliares terão autonomia para definir o lance sem o auxílio da tecnologia. A marcação de campo será validada ou não posteriormente após ação do impedimento semiautomático.

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O que mudou em relação ao VAR tradicional?

O Brasileirão deu um salto importante em relação ao antigo procedimento do VAR. Até então, operadores precisavam selecionar manualmente o frame do passe e posicionar as linhas sobre os jogadores. Com o impedimento semiautomático, essas etapas passam a ser automatizadas, reduzindo significativamente o tempo de revisão e diminuindo a margem para erro humano na marcação das linhas. Pelo sistema da CBF, o impedimento semiautomático terá margem de erro mínima na marcação da linha de impedimento, de aproximadamente um centímetro. Também há a expectativa de redução no tempo de decisão da arbitragem. O sistema utilizado pela CBF é o mesmo oferecido nas ligas da Inglaterra, do México e da Bélgica. Nos países citados, houve redução média de 33% no tempo de definição em relação às linhas tradicionais traçadas pelo VAR humano. A entidade informou que o tempo médio de checagem dos cinco lances ocorridos na 20ª rodada foi de 47 segundos.

O que não mudou?

Apesar da automação, a decisão final continua sendo humana. O sistema apenas gera automaticamente a linha de impedimento e fornece a informação ao árbitro de vídeo. A validação permanece sob responsabilidade do VAR, que comunica a decisão ao árbitro de campo.