O Cruzeiro venceu o Coritiba por 1 a 0, em Curitiba, pela 21ª rodada do Brasileirão 2026. O gol da vitória foi marcado por Matheus Pereira, em uma jogada que nasceu dos pés da dupla formada com Gerson. Foi uma noite de muito volume ofensivo da Raposa, que finalizou 20 vezes, com três chances claras, mas voltou a pecar nas finalizações.
Retornos decisivos
Os retornos de Gerson e Matheus Pereira foram os maiores presentes que o torcedor do Cruzeiro poderia receber na partida contra o Coritiba. A dupla comandou o meio-campo: Gerson foi participativo tanto na marcação quanto na construção das jogadas, enquanto Matheus Pereira, dono de uma visão de jogo diferenciada, vive boa fase também nas finalizações — são quatro gols e duas assistências nos últimos quatro jogos.
"Matheus Pereira se sentiu em casa em Curitiba", festejou Fernanda, da A Voz da Torcida. A declaração reflete o peso da atuação do meia, que mais uma vez decidiu em um momento importante.
Os números mostram a importância da dupla para o time. Gerson e Matheus Pereira atuaram juntos em 30 partidas na temporada. Foram 15 vitórias, oito empates e seis derrotas, com aproveitamento de quase 60%. Sem a dupla em campo, esse índice passa pouco dos 40%.
Escalação surpresa e estreia de Felipe Morais
Artur Jorge surpreendeu na escalação. Na tentativa de encontrar soluções para os desfalques, apostou no jovem Felipe Morais ao lado de Arroyo e Kaio Jorge. Era um teste válido para um time que convive com tantas lesões no setor ofensivo.
Atualmente, Gabriel Pec, Sinisterra e Néiser Villarreal estão fora por questões físicas. Wanderson e Chico da Costa também não foram relacionados. Com tantas baixas, a aposta em um garoto de 17 anos era uma alternativa, mas também um risco.
Felipe não se escondeu do jogo, apesar de fazer sua estreia em uma partida oficial. Tentou se movimentar pelo lado esquerdo, arriscou de fora da área — uma das principais características dele — e perdeu uma oportunidade clara debaixo da trave. Situações que fazem parte do processo de um jogador tão jovem.
Ataque segue preocupante
A responsabilidade estava, de fato, sobre Arroyo e Kaio Jorge. Mas os dois ficaram abaixo do esperado. Arroyo tomou decisões equivocadas nos 45 minutos iniciais. Em um dos lances, tinha três companheiros em melhores condições, mas preferiu finalizar. O artilheiro do time não encontrou muitas oportunidades para concluir e acabou tentando participar mais da construção das jogadas, atuando pelos lados do campo, sem conseguir fazer a diferença.
A falta de pontaria é um problema antigo. Arroyo está há quatro jogos sem marcar. A última vez que balançou as redes foi em maio, contra o Palmeiras. Kaio Jorge tem bons números na temporada — são 13 gols em 29 partidas —, mas o desempenho recente oscilou. Contra o Botafogo, desperdiçou uma chance clara cara a cara com o goleiro. Diante do Coritiba, passou em branco e pouco ameaçou o adversário.
Bruno Rodrigues, que entrou no segundo tempo, também desperdiçou uma chance clara de uma oportunidade que ele mesmo criou. Em uma jogada de corpo em cima do adversário, conseguiu acelerar e ficar na cara do gol, mas optou por tocar em Matheus Pereira, que foi interceptado pela defesa. Isso reforça que o Cruzeiro precisa olhar para esse setor com atenção e urgência.
"O coletivo está muito bem", ressaltou Matheus Pereira depois da vitória. A frase resume o momento do time, que tem criado bastante, mas esbarra na eficiência. De que adianta tanto volume sem gols?
Por enquanto, o Cruzeiro segue contando com o talento e a qualidade de dois grandes jogadores: Gerson e Matheus Pereira. Mas eles precisam de companheiros, em sintonia, para transformar o volume em gols. Em Curitiba, a Raposa conquistou três pontos importantes, mas a preocupação com a oscilação do ataque segue de pé.



