Lucas Pinheiro Braathen, o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos de Inverno, redesenhou sua estratégia de treinamento. O esquiador de 25 anos decidiu estabelecer o Rio de Janeiro como sua nova base para a preparação física, com o objetivo de se conectar mais profundamente com a cultura e as pessoas que representa internacionalmente.
Nos últimos meses, Pinheiro atingiu dois dos quatro grandes propósitos que havia traçado para sua carreira. Além da medalha de ouro em Milão-Cortina 2026, ele encerrou a temporada passada na liderança do ranking mundial do slalom gigante, recebendo o inédito Globo de Cristal da categoria – prêmio concedido ao melhor atleta do ano. Agora, suas metas incluem conquistar o título geral da Copa do Mundo (que combina slalom e slalom gigante) e o ouro no Mundial de Esqui Alpino, competição que, segundo ele, já apresenta chances reais na próxima edição, em fevereiro de 2027.
Treinos na Barra da Tijuca e novo ciclo olímpico
Para alcançar esses objetivos, o atleta optou por incorporar cada vez mais elementos brasileiros – e sul-americanos – em sua rotina, respeitando as limitações climáticas. A parte física do treinamento agora ocorre no Centro de Treinamento do Comitê Olímpico do Brasil (COB), na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. O local fica a apenas dez minutos da casa de sua namorada, a atriz Isadora Cruz, conforme o casal revelou em entrevista ao Fantástico.
"Para mim, é muito importante me desconectar com as montanhas e a neve também", afirmou Lucas ao Jornal Nacional. "A galera que encontro na rua sempre pergunta: 'Como você pode viver aqui? Brasil não tem neve!', mas esqui alpino tem uma temporada e a gente segue a neve quase o ano inteiro. No entanto, estar mais próximo do Brasil é energeticamente muito importante para mim."
Filho do norueguês Bjorn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro (que reside na Nova Zelândia), Lucas treinava anteriormente no país da Oceania. Agora, Argentina e Chile serão os destinos para as sessões na neve, enquanto a relação com o treinador também ganhou uma "dinâmica diferente". "Não estou com meu treinador o tempo inteiro. Tem fases que vou com ele para a Áustria, depois volto ao Brasil para treinar sozinho. São várias mudanças, mas necessárias para crescer", explicou.
Diversificação como diferencial
No Brasil, Lucas aproveita para diversificar sua preparação, algo que considera um de seus principais diferenciais. "Outro dia, eu estava com Isadora em uma aula de movimento, dançando. Tenho o privilégio de viver isso aqui. Sempre acredito que uma das maiores fontes do meu sucesso é o jeito como treino: nunca só esquiar ou só academia; sempre fiz de tudo. Sigo minha curiosidade, pois no dia da competição preciso seguir meu coração."
Entre abril e agosto, período de treinamento físico fora das pistas, ele inclui atividades como surfe na Barra da Tijuca, acrobacias em trampolim e observação de atletas de outras modalidades no CT do COB. "Tento trazer esse jeito de viver minha vida e dia a dia aqui no Brasil fora da temporada de competição. Sempre busco outros formatos que meu ambiente oferece, porque isso fará a diferença no dia da prova."



