Maju Coutinho estreia 'Delivery com Maju' no Fantástico
Maju Coutinho estreia 'Delivery com Maju' no Fantástico

O “Fantástico” estreia neste domingo o quadro “Delivery com Maju”, no qual Maju Coutinho recebe entregadores de aplicativo para uma refeição e uma conversa franca sobre suas trajetórias. Em seis episódios, a apresentadora faz o pedido e, ao receber o profissional, o convida para sentar à mesa, comer e contar a própria história.

Uma conversa que nasce da invisibilidade

De acordo com Maju, o formato surgiu de um incômodo com a invisibilidade da categoria. “A gente já tem um jornalismo diário que faz uma cobertura das leis, das demandas desses profissionais. Mas a gente quis focar no micro, mostrar quem é o CPF que vai ser impactado por qualquer lei que possa vir a ser assinada”, disse a jornalista, de 47 anos, que tem o hábito de usar serviços de delivery. “Peço muito para entregar as compras do mercado. Se antes já era incentivadora da gorjeta, continuo pagando com muito mais gosto.”

Ela também chamou atenção para as condições precárias enfrentadas pelos trabalhadores. “Eles são valentes, e trabalham em condições precárias. Em São Paulo, eles criaram entre eles espaços de convivência, porque muitas vezes os restaurantes não deixam usar o banheiro. Pedem água, não dão. Pelas limitações e demandas deles é perceptível que eles precisam ter melhores condições de trabalho”, afirmou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Ética de pagar o trabalhador

Mais do que dar voz aos entregadores, o “Fantástico” se preocupou em remunerar os participantes. “Pagar o trabalhador é até uma premissa ética do quadro. O tempo dos caras é dinheiro. O alívio de não ter que cumprir uma meta do dia permitia o papo fluir. Eles chegavam e estavam tanto no corre que nem tinham comido ainda. Era tamanha essa vontade de serem ouvidos, que em meio ao papo, eu até precisava insistir para eles comerem: ‘Vai esfriar’ (risos)”, relembrou Maju, que variou os pedidos entre pizza, crepe e medalhão.

As gravações passaram por São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. No episódio de estreia, o protagonista é Jobinho, motoboy paulistano que viveu um dilema ao socorrer um colega acidentado. “A solidariedade entre os entregadores é um ponto comum. Este de São Paulo, o Jobinho, narra o dilema que viveu socorrendo um colega acidentado, sabendo o quanto isso impactaria no dinheiro que precisava ganhar. Por isso, digo que a política pública aparece aí, nessas entrelinhas da vida real”, contou.

Histórias que parecem filme

“As histórias dos motoboys do Rio de Janeiro são cinematográficas”, avisou a apresentadora. Uma delas é a de Jonatan Batalha, que era promessa do futebol e jogava na Alemanha até a morte do empresário Markus Muller. O caso teve ampla cobertura em 2015, inclusive pelo próprio “Fantástico”, depois de uma explosão em um apartamento em São Conrado. “Ele jogava na Alemanha, o empresário morreu, e o Jonatan acabou caindo em furadas, teve depressão, e as mudanças da carreira o levaram para fazer as corridas pelo aplicativo”, explicou Maju.

Também do Rio, Igor Pimenta cresceu no Vidigal, é ator formado pelo grupo Nós do Morro e trabalhou como mototaxista antes de se tornar entregador. Ele passou por revezes na vida, tornou-se pai e, pelas filhas, deu a volta por cima. “Tem uma história bonita, com ares de jornada do herói”, avaliou Maju.

Entregadores com perfis diversos

Em São Paulo, Josenildo Amorim, o Jobinho, virou entregador durante a pandemia e protagoniza momentos de solidariedade entre colegas. Já Gabriel Nunes, o Biel, transformou a rotina com aplicativos em conteúdo para as redes sociais. Foi ele quem surpreendeu o “Fantástico”: pediu para levar a namorada para jantar. “Geralmente, eles escolhiam a família e faziam uma surpresa ao chegar em casa. E teve um que pediu: ‘Posso levar a minha gata para comer no restaurante?’ (risos). E foi com a namorada. Adorei!”, divertiu-se Maju.

Entre os pernambucanos, Marcela Barros tem outra profissão e viu no delivery uma chance de fazer bicos para complementar a renda. “Ela vive uma jornada tripla, tem filhos. E ainda se organiza para conseguir malhar cedo e dar conta de tudo. Me surpreendi”, disse. A jornalista também elogiou a organização de Jeison Lima, que calcula “entre gasolina, parcela da moto, entre outras contas para saber se a corrida vale à pena”.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Encontros inspiradores e planos na TV

Se pudesse escolher um convidado para um delivery especial, Maju não hesita: “Adoraria ter jantado com Nelson Mandela, Mujica, o Papa Francisco... Já entrevistei a Angela Davis, agora quero sair com ela para comer. Pessoas assim me inspiram. Eu gosto de conversar e aprender. Todo mundo tem uma boa história para entregar.”

Em ótima fase na TV, Maju também desmentiu os rumores de que deixaria o “Fantástico”. “Todas as movimentações da minha carreira dentro da Globo eu fui avisada com muita antecedência. E as que aconteceram mesmo ninguém ‘cantou’ antes. Meu nome deve ser caça clique. E estou cheia de projetos. Semana que vem, teremos uma reunião para ideias para o ‘Fantástico’. Este quadro do delivery, por exemplo, surgiu em uma reunião do ano passado.”

Biblioteca comunitária

Na semana passada, a jornalista também viveu uma emoção à parte: virou nome de uma biblioteca comunitária no bairro Saúde, no Rio, por iniciativa da Ceap e da Favelivro. “Foi uma das maiores emoções da minha vida. Os livros foram responsáveis pela transformação geracional da minha família. Minha avó, sendo analfabeta, teve a inteligência de dizer que minha mãe deveria estudar. Ela se tornou uma professora formada pela USP, que continua investindo na minha educação e do meu irmão, e a gente pode avançar. Quero muito contribuir com esta biblioteca comunitária”, emocionou-se.

Além do novo quadro, Maju segue à frente do “Fantástico” e do “Que África é essa?”, mostrando que a sua rotina na Globo está longe de se resumir a um único formato.