Advogado critica série da Netflix sobre caso Elize Matsunaga
Advogado critica série da Netflix sobre Elize Matsunaga

O lançamento da série da Netflix sobre o caso Elize Matsunaga reacendeu o debate sobre a fidelidade das produções audiovisuais aos fatos reais. O criminalista que atuou na acusação, representando a família da vítima, Marcos Matsunaga, apontou uma série de divergências entre a trama e as provas colhidas durante o processo.

Reconstituição oficial contradiz cena da série

Segundo o advogado, a reconstituição oficial do crime indica que Marcos estava agachado quando foi baleado. A produção da Netflix, no entanto, mostra o casal discutindo em pé, o que, para o criminalista, é um dos 'erros gravíssimos' da obra. Essa diferença, embora possa parecer um detalhe, é crucial para entender a dinâmica do crime e a posição da vítima no momento do disparo.

A acusação também sustenta que os laudos periciais comprovam que o empresário ainda respirava quando foi degolado. Esse detalhe, considerado fundamental para a caracterização do crime, foi omitido no filme, que optou por uma narrativa que não reflete a realidade pericial.

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Planejamento do crime e a compra da serra elétrica

Outro ponto levantado pelo advogado é a compra de uma serra elétrica por Elize, antes do crime. Para a acusação, isso reforça a tese de que o assassinato foi premeditado, e não um ato impulsivo. A ausência de sangue no apartamento, segundo o criminalista, também é um indício de planejamento, pois indica que a cena do crime foi cuidadosamente preparada para evitar vestígios.

O advogado, que preferiu não ter o nome divulgado, afirmou que a série, embora bem produzida, apresenta uma versão dos fatos que não corresponde às provas dos autos. Ele destacou que a obra pode influenciar a opinião pública, mas que a Justiça já se manifestou sobre o caso, condenando Elize Matsunaga pelo homicídio.

Repercussão e críticas à produção

A série da Netflix, intitulada 'Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime', tem gerado grande repercussão, tanto pela história real quanto pelas escolhas narrativas. Especialistas em true crime apontam que a produção, embora dramática, precisa equilibrar entretenimento e fidelidade aos fatos. No caso de Elize, as divergências apontadas pelo advogado levantam questionamentos sobre a responsabilidade das plataformas de streaming ao retratar casos reais.

A Netflix ainda não se pronunciou oficialmente sobre as críticas. No entanto, a produção já havia sido alvo de controvérsias antes mesmo da estreia, com a família da vítima manifestando desconforto com a abordagem escolhida.

Enquanto isso, o público segue dividido: alguns elogiam a atuação de Lorena Comparato, que interpreta Elize, e a direção de arte, enquanto outros criticam a forma como o crime é retratado, considerando que a série romantiza ou distorce os eventos reais.

O caso Elize Matsunaga

O caso ganhou notoriedade em 2012, quando Elize, então com 32 anos, matou o marido, Marcos Matsunaga, herdeiro da Yoki Alimentos, com um tiro no rosto. Ela ainda esquartejou o corpo e o espalhou em uma área de mata em Cotia, na Grande São Paulo. Elize foi condenada a 19 anos e 11 meses de prisão, tendo progredido para o regime aberto em 2022.

A série da Netflix, lançada recentemente, reconta a história a partir de entrevistas, reconstituições e dramatizações, mas, segundo o advogado, com liberdades que comprometem a veracidade dos fatos.

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