Quando subiu ao palco para gravar o audiovisual Acústico com o Charlie Brown Jr. em 2003, Negra Li era apontada como uma das vozes mais promissoras da música urbana brasileira. Mais de duas décadas depois, consagrada como um dos grandes nomes da cena nacional, ela volta a dividir o palco com a banda. A ocasião é o João Rock 2026, neste sábado (1º), em Ribeirão Preto (SP), com os remanescentes Marcão Britto e Thiago Castanho. O festival está com ingressos esgotados e, segundo a organização, espera 65 mil pessoas no Parque Permanente de Exposições.
Em entrevista ao g1, a rapper e cantora resgatou memórias afetivas da época e revelou a expectativa para o encontro. "Eu achei genial esse convite, a gente poder ter essa oportunidade de estar junto e poder cantar 'Não é Sério' ao vivo com a banda original. É uma mistura de emoções. Não tem como não recordar os velhos tempos, relembrar o Chorão, o Champignon, não tem como não se emocionar", disse.
Uma história construída nos anos 2000
Fazer parte da história do álbum acústico do Charlie Brown Jr. foi um marco na carreira de Negra Li. Ela conta que teve uma grande conexão com Chorão no início dos anos 2000. "Lembro muito do apoio do Chorão que tive em relação à música, em relação ao mercado de trabalho. Ele tentando me preparar, me dar dicas. Lembro da liberdade que ele me deu também na gravação do acústico quando eu fiz os meus improvisos."
A relação da artista com a banda sempre foi de muito carinho. Após a morte do vocalista, em 2013, ela foi convidada para uma apresentação no programa Altas Horas, da TV Globo. Naquele momento, Negra Li teve um momento especial com Champignon, que iria cantar e buscou ajuda dela por causa do nervosismo. "Antes de entrar ele estava muito nervoso. Eu falava para ele: 'Meu, sua voz é muito linda'. Eu dei essa opinião para ele, eu lembro que ele ficou muito feliz."
As lembranças daquela época fazem a cantora refletir sobre a própria trajetória. O que no passado a deixava insegura em alguns momentos, hoje ela enfrenta com maturidade e coragem. "Meu último álbum, 'Silêncio Que Grita', fala muito sobre mim, sobre um momento que eu estava desabrochando. É uma confiança maior. Isso vem com a experiência. São muitos anos que a gente fica um pouco mais, digamos assim, confiante, mais tranquila", afirmou.
Sem ensaio, mas com surpresa
Segundo Negra Li, não houve ensaio prévio para a apresentação no João Rock, mas o objetivo diante do público é fazer a diferença por meio da música. "Estamos pensando em fazer mais alguma coisa, uma surpresinha", contou. Ela afirma que já passou por diferentes festivais no país, mas entende que subir ao palco como convidada tem um peso diferente. Preparar um show próprio traz mais preocupação; ser convidada permite outro tipo de aproveitamento.
"Quando a gente é convidada, a gente consegue degustar, a gente consegue relaxar. Então, eu sei que é o trabalho, mas quase que não vai ser o trabalho. Eu quero me jogar, quero me divertir", declarou.
Festival como espaço de descobertas
Fazer parte de um festival implica algumas incertezas, na visão da cantora. O público é variado e nem sempre se sabe como vai ser a recepção. Apesar da ansiedade, são essas emoções que tornam tudo especial. "Enquanto eu estiver sentindo isso é porque eu estou viva, é porque está valendo a pena. Quando eu não sentir mais, bora se aposentar", brincou.
A escalação como atração, no entanto, não deve impedir Negra Li de dar uma escapada para curtir o evento. "É dentro de festivais que eu acabo conhecendo artistas que eu não teria a mesma oportunidade, se não fosse dentro de um festival tão misturado com tantos palcos para abranger todo mundo. Isso para a arte, para a cultura, para a música é essencial."
O line-up do João Rock reúne nomes como Marina Sena, Criolo, BaianaSystem, CPM 22, Lagum, Raimundos, Luedji Luna, Nação Zumbi, Ajuliacosta e Alceu Valença. Com 12 horas de música e uma expectativa de 65 mil pessoas, o festival promete uma experiência completa para o público que lota o Parque Permanente de Exposições.



