Madonna lança nesta sexta-feira (3) o aguardado 'Confessions II', disco que dá continuidade ao tema do álbum 'Confessions on a Dance Floor' (2005). Com produção novamente assinada pelo britânico Stuart Price, a cantora promete um álbum 'sobre consciência e liberdade', que explora a música eletrônica de ontem, hoje e de amanhã. Mas de todo o seu repertório, por que Madonna quis revisitar justamente o 'Confessions', 21 anos depois? Para entender essa escolha, é preciso relembrar a história do disco de 2005 e como ele influenciou não só a carreira dela, como a própria música pop.
A volta da pista de dança
Em 2005, Madonna vinha de uma fase menos popular com o divisivo e político 'American Life'. Em um momento tenso para os EUA pós-11 de setembro, ela queria um disco com clima oposto. 'Queria ser feliz, boba e dinâmica. Queria levantar a mim e aos outros com este álbum', revelou. Produzido por Stuart Price, 'Confessions' aborda a pista de dança como um lugar sagrado, de confissões e de liberdade. É um álbum principalmente de disco music com pegada anos 70, mas com elementos de house. Além disso, foi concebido 'non-stop' (sem pausas), como um set de DJ.
Dança como essência
Para Madonna — que antes de ser cantora foi dançarina —, a dança tem importância absoluta. Foi graças às pistas que ela conseguiu seu primeiro sucesso ('Everybody'); foi nas discotecas que conviveu com nomes como Keith Haring e Basquiat; e onde conheceu seus melhores amigos Martin Burgoyne e Debi Mazar. No álbum de 2005, ela homenageia a história da música pop e disco (e a própria história), com citações de ABBA ('Hung Up'), Donna Summer ('Future Lovers') e mais. Nas letras, reflete sobre a passagem do tempo, espiritualidade e resiliência.
O significado de 'Confessions' para Madonna
Com o tempo, 'Confessions on a Dance Floor' (2005) passou a simbolizar tudo que associamos a Madonna: liberdade, expressão e longevidade. O disco marcou um novo auge aos 47 anos, com mais de 20 anos de carreira. Com 'Confessions', ela provou que seguia relevante e desafiava expectativas — afinal, apostar em música disco em 2005 não era óbvio. A fase rendeu 'Hung Up', um dos maiores sucessos de sua carreira. O álbum também influenciou discos como 'Future Nostalgia' de Dua Lipa e 'Renaissance' de Beyoncé.
Por que revisitar agora?
Hoje, Madonna vê a pista de dança como um lugar ainda mais sagrado em meio à tecnologia e tensão política. 'Dançar não é um ato sem sentido, mas permite criar um senso de comunidade e conexão. Hoje, com os smartphones, não nos conectamos mais de verdade. Em vez disso, cada pista de dança é um espaço ritualístico onde você liberta seu corpo e mente, a ansiedade desaparece e você tem a chance de alcançar um estado de consciência mais profundo', disse à Vogue Itália. Após a turnê 'Celebration', que celebrava sua carreira, ela agora se prepara para continuar homenageando seu legado, olhando para frente.



