Liniker, uma das vozes mais marcantes da música brasileira contemporânea, iniciou no dia 11 de julho a turnê de despedida do álbum 'Caju', intitulada 'Bye, Bye Caju'. O show de estreia ocorreu no Nubank Parque, em São Paulo, e reuniu um público estimado em 48 mil pessoas. A turnê marca o encerramento de um ciclo que rendeu à cantora três prêmios Grammy Latino em 2025, consolidando seu lugar no cenário musical nacional e internacional.
Uma trajetória de superação e arte
Liniker, que iniciou a carreira solo em 2021 com o álbum 'Indigo Borboleta Anil', já havia chamado a atenção pela potência vocal e pela fusão de elementos da música preta brasileira e americana. O trabalho contou com a participação especial de Milton Nascimento na faixa 'Lalange'. Com 'Caju', lançado em 2024, a artista consolidou seu estilo único, que mescla soul, samba paulistano dos anos 1990 e influências pop. O disco foi elogiado por sua ousadia em um mercado que privilegia canções curtas: as faixas de 'Caju' são longas e valorizam versos bem construídos, refrãos que não chegam de imediato e uma rica tapeçaria de colaborações, incluindo BaianaSystem, Anavitória, Lulu Santos e Pabllo Vittar.
Representatividade e impacto cultural
Liniker integra a geração que o escritor João Silvério Trevisan chama de 'estilística desmunhecada' ou 'estética viada': artistas pop com caráter artivista e anti-homofóbico, assumidamente LGBTQIA+ e militantes. Diferentemente de Ney Matogrosso, que expressava sua homossexualidade mais no palco do que em discursos, Liniker faz da representatividade uma bandeira, ainda que suas letras tratem principalmente de relações amorosas. A cantora conseguiu, assim como Ney, transcender sua bolha original e ser aclamada por plateias diversas.
Nos últimos oito anos, o pop brasileiro viu uma profusão de artistas drag queen, trans e gays construindo carreiras respeitáveis, como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Catto, Johnny Hooker e Assucena. No entanto, Liniker alcançou um patamar diferente, com uma base de fãs fiel e uma média de 2,5 milhões de ouvintes mensais nas plataformas de streaming. Ela evita publicações comerciais em suas redes sociais, focando na música e no engajamento orgânico.
Novos projetos e a continuidade do legado
Após o sucesso de 'Caju', Liniker lançou em 2026 dois novos singles, 'Charme' e 'Melhor Notícia', que trazem referências que vão de Prince ao samba soul paulista. A turnê 'Bye, Bye Caju' é uma despedida do álbum vencedor do Grammy, mas também uma celebração do caminho percorrido. Em entrevista, a cantora afirmou: 'Hoje, sou feliz. Isso me dá proteção'. A artista continua a expandir seus horizontes, mantendo a essência que a tornou única: a combinação de talento, autenticidade e uma conexão profunda com o público.
Para muitos fãs, como o cronista que a acompanhou no carnaval de Recife em fevereiro, a performance de Liniker é arrebatadora. Ela abriu o show com 'Voltei, Recife', cantando e dançando frevo, conquistando o público no marco zero da cidade. A turnê 'Bye, Bye Caju' promete ser um marco na carreira da artista, que já é considerada uma das grandes vozes da música brasileira do século XXI.



