Kerry King: 'Cristianismo é o negócio mais ultrajante do mundo'
Kerry King critica cristianismo e fala sobre carreira solo

O guitarrista fundador do Slayer, Kerry King, de 60 anos, esteve em São Paulo no início de abril para divulgar seu primeiro álbum solo, From Hell I Rise, lançado em 2024. Em entrevista exclusiva ao Estadão, ele falou sobre a carreira solo, a volta do Slayer aos palcos, sua paixão por jogos e cobras, e fez duras críticas ao cristianismo.

Carreira solo e o som do Slayer

King explicou que não buscou se distanciar do som do Slayer em seu trabalho solo: “Pessoalmente, eu só queria que fosse o próximo disco, seja ele do Slayer ou da minha própria banda. O último disco do Slayer foi 90-95% meu. Então, obviamente, o próximo disco vai soar muito similar”. Ele citou bandas como AC/DC, Black Sabbath e Judas Priest como exemplos de grupos que mantêm sua identidade sonora, e afirmou que seus fãs esperam ouvir “Kerry King sendo Kerry King”.

Hobbies: jogos e cobras

Apesar da imagem agressiva no palco, King revelou ser um entusiasta de jogos casuais no celular, como Candy Crush e Angry Birds. Ele contou que, antes de um voo intercontinental, passou apuros para baixar jogos na loja de aplicativos: “Enchi uma página inteira com jogos só para ter coisas para fazer”. Em turnês, costuma jogar em fliperamas – uma máquina que ganhou da esposa atrasou em seis meses a produção do álbum Christ Illusion (2006).

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King também é um ex-criador de cobras, especializado em jiboias de cauda vermelha do Sul do Brasil. “Todas as vezes que tive cobras, sempre fiquei com muitas delas e isso consome bastante tempo”, disse. Ele se mudou para Nova York em 2021 e deixou os répteis para trás por questões de custo. Questionado sobre o Instituto Butantan, em São Paulo, ele demonstrou interesse em conhecê-lo.

Big Four e o legado de Reign In Blood

Entre as bandas do Big Four (Slayer, Metallica, Megadeth e Anthrax), King elegeu o Metallica como sua favorita, apesar de divergências musicais: “Eles fizeram muitos discos que não foram os meus favoritos, e eles sabem disso. Isso gerou brigas ao longo dos anos, mas eu amo esses caras”. Ele destacou a amizade com Kirk Hammett e Robert Trujillo.

Sobre o clássico Reign In Blood (1986), que completa 40 anos em 2026, King disse que a banda não planejou criar um marco: “Foi a primeira vez que fomos para um estúdio melhor. Tivemos um engenheiro melhor, melhor orçamento. Mas, no final das contas, para Jeff e eu apenas eram as próximas 10 músicas”. Ele definiu o álbum como “um soco na cara por 30 minutos” e afirmou que foi quando o Slayer “se tornou sua própria entidade”.

Volta aos palcos e Black Sabbath

O Slayer encerrou as turnês em 2019, mas voltou a fazer shows em 2024. King explicou: “Porque os promotores não nos deixam em paz. Todos os dias as pessoas oferecem coisas ao Slayer e nós recusávamos até o ano passado”. A banda tocará na despedida do Black Sabbath, em 5 de julho de 2025, em Birmingham, Inglaterra. “Estou extremamente animado. O Black Sabbath significa mais para mim do que eu consigo explicar”, afirmou. Ele também não descarta shows na América do Sul em 2026, incluindo uma possível participação no Rock in Rio.

Satanismo e crítica à Igreja

King relacionou o satanismo no metal ao gosto por filmes de terror: “As pessoas gostam desse aspecto mais sombrio da humanidade. A maioria das pessoas não vai agir nesse sentido”. Ele citou o personagem Art, o Palhaço, do filme Terrifier, como exemplo. Em seguida, disparou contra o cristianismo: “Acho que o cristianismo é o negócio mais ultrajante do mundo. Faz você se sentir mal por quem você é, leva seu dinheiro e não é taxado por isso. A igreja é um negócio que se aproveita da humanidade”.

Bangers Open Air

Kerry King se apresenta no festival Bangers Open Air em 4 de maio de 2025, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O evento, que antes se chamava Summer Breeze, teve o nome alterado por questões judiciais envolvendo o registro da marca no Brasil. A edição de 2026 já está confirmada.

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