“É a rainha da música do Brasil!”. A frase, dita por uma espectadora anônima após Juliana Linhares cantar “A palo seco” (Belchior, 1973), ecoou pela plateia do Teatro Claro Mais Rio na noite de 16 de julho de 2026, durante a estreia nacional do show “Até cansar o cansaço”. O teatro estava hiperlotado – com cadeiras extras e espectadores em pé nos corredores laterais – e o encantamento era geral.
Show coroa Juliana Linhares como grande artista
Menos de três meses após lançar o álbum “Até cansar o cansaço”, considerado por muitos o melhor disco brasileiro de 2026, Juliana Linhares apresenta um show da mesma estatura. O espetáculo, calcado no repertório do álbum, é alavancado pela forte presença cênica da artista potiguar. A crítica aponta que o show é ainda mais coeso que o anterior, “Nordeste ficção” (2021).
Do primeiro ao último dos 18 números, Juliana magnetizou o público. O roteiro incluiu as 11 músicas do novo álbum, três do disco anterior (“Armadilha”, “Bombinha” e “Balanceiro”) e surpresas como “Tesoura do desejo” (Alceu Valença, 1991), que ganhou intensa teatralidade, com a artista cantando no corredor central da plateia.
Repertório de alta qualidade e presença cênica
Com figurino mutante criado por Jailon Fernandes, Juliana alternou canções animadas e densas, passeando por xote, baião e frevo. Destacaram-se “O rabo do jumento” (Elino Julião, 1967), cantada a capella, “Emaranhada” (2024), de Juliano Holanda, e “Conseguiram, parabéns”, de Manduka. A artista também mostrou evolução como compositora, com parcerias como “Vida virada” (com Josyara e Elisio Freitas) e “Tanto buliço” (com Khrystal Saraiva).
A elástica máscara facial de Juliana amplificou sua interpretação, como no número de abertura “Até cansar o cansaço”, cantado com um travesseiro como adereço. A cantora também impressionou na balada “Tempos temporais”, em formato intimista de voz, violão e sanfona.
Texto da artista e conexão com o público
No meio do show, Juliana leu um texto próprio: “Tenho sede de vida. Nessa solidão desenfreada / Sigo me apoiando em quem tem fé / E acredito em forças encantadas / Chama da criança que ainda é”. A frase ecoou o conceito do show, que celebra sonho, fé e vida. A música “Chama da criança”, do álbum da banda Pietá, foi introduzida por citações de “Salve as folhas”, “Vapor barato” e “A mulher do fim do mundo”.
O show encerrou com “Futuro (Novos erros) + Oração pro sonho”, parceria com Carlos Posada, e bis com “Tareco e mariola” e reprise de “Depois do breu”. A plateia, em êxtase, confirmou: Juliana Linhares é, sim, uma rainha da música brasileira do século XXI.
Roteiro completo do show
- “Até cansar o cansaço” (Juliana Linhares e Jeff Lyrio, 2026)
- “Depois do breu” (Juliana Linhares e Rafael Barbosa, 2026)
- “Tanto buliço” (Juliana Linhares e Khrystal Saraiva, 2026)
- “Armadilha” (Caio Riscado e Juliana Linhares, 2021)
- “Tempos temporais” (Juliana Linhares e Juliano Holanda, 2026)
- “Mistério do óbvio” (Luiz Gabriel Lopes, 2026)
- “O rabo do jumento” (Elino Julião, 1967)
- “Conseguiram, parabéns” (Manduka, 2020)
- “Emaranhada” (Juliana Linhares, 2024)
- “Vida virada” (Juliana Linhares, Josyara e Elisio Freitas, 2026)
- Texto de Juliana Linhares
- “Chama da criança” (Juliana Linhares e Demarca, 2024)
- “Bombinha” (Carlos Posada, 2021)
- “A palo seco” (Belchior, 1973)
- “Tesoura do desejo” (Alceu Valença, 1991)
- “Balanceiro” (Juliana Linhares, Khrystal, Moyseis Marques e Sami Tarik, 2021)
- “Futuro (Novos erros) + Oração pro sonho” (Juliana Linhares e Carlos Posada, 2026)
- Bis: “Tareco e mariola” (Petrúcio Amorim, 1995)
- Reprise: “Depois do breu”



