Após quatro anos longe do evento, Criolo volta ao João Rock neste sábado (1º) para comandar o encerramento do palco Fortalecendo a Cena, um dos quatro do festival, em Ribeirão Preto (SP). O rapper, sete vezes indicado ao Grammy Latino, se apresenta depois de Djonga, FBC e dos estreantes Ajuliacosta e Yago Opróprio. Para ele, dividir o espaço com artistas de outra geração é uma forma de renovação.
"Eu tenho certeza que ali eu vou sair, aprender, absorver com quem está fazendo o som agora, com quem está fazendo essa transformação agora. Do mesmo jeito que eu vivi isso há 35, 37, 38 anos, vivendo as minhas revoluções e enxergando na rima, enxergando no rap, um jeito para me comunicar e existir no mundo", afirmou o rapper.
Palco alternativo? Para Criolo, o melhor palco do mundo
Quando a escalação do João Rock foi divulgada, muitos fãs comentaram nas redes sociais que Criolo deveria estar no palco principal, o maior do evento. Para o artista, no entanto, a posição no line-up não diminui a importância da apresentação. "As coisas aconteceram para mim depois dos 38 anos. E eu já escrevendo rap desde os 12. Então, eu fiquei esse tempão todo sonhando com esses palcos. O que para muita gente é um palco de um espaço alternativo, de um horário diferente, para nós, é o melhor palco do mundo. A gente transforma esse lugar no melhor lugar do mundo para a gente", disse.
Encontro de nações e gêneros
O João Rock se orgulha de ter um line-up 100% brasileiro. Para Criolo, ver tantas pessoas reunidas em torno da música é algo mágico. "Eu não canto há muitos anos no João Rock e eu estou com saudade. E eu sei o quanto esses encontros de música são importantes para a sociedade. Quando a gente tem um tantão de gente que se encontra, a mágica acontece", completou.
O festival também se destaca pela diversidade de estilos. Nesta edição, passam pelos palcos nomes como Alceu Valença, Zé Ramalho, Marina Sena, Luedji Luna, Raimundos, Marcelo D2, Rael, Os Paralamas do Sucesso, Nação Zumbi e Detonautas, em uma programação que vai da MPB ao punk. Para o rapper, essa mistura reflete no rosto do público o encontro do Brasil.
Da parceria ao show solo
A última participação de Criolo no João Rock foi em 2022, quando ele dividiu o palco principal com Emicida e Céu no projeto "Amor, ordem e progresso", que encerrou o evento. Desta vez, a apresentação terá outro formato: o show será dele, com a banda, e algumas músicas ganharão arranjos diferentes para o festival. Entre as canções mais esperadas pelos fãs estão Não Existe Amor em SP e Convoque Seu Buda.
O rapper afirma que o repertório busca equilibrar os clássicos com novidades. "A gente tenta trazer um pouquinho disso para manter a chama viva da criação, a chama viva da curiosidade e do inventivo. Cada show é uma tentativa de a gente sair melhor do que quando a gente entrou. No final é isso", explicou.
Para Criolo, a essência da apresentação está na soma das trajetórias de quem sobe ao palco. "Acho que quando a gente mistura todas essas histórias, a gente sabe que todo palco é um grande palco. É um lugar maravilhoso, incrível, que a gente faz ali naquela hora, naquela comunhão. É o que faz toda a diferença. Eu estou empolgado", celebrou.
Estrutura e expectativa
O João Rock espera receber 65 mil pessoas no Parque Permanente de Exposições, em Ribeirão Preto, neste sábado. Os ingressos estão esgotados. A estrutura conta com quatro palcos e cerca de 12 horas de apresentações, prometendo um dia inteiro de música para o público.
Com essa volta, Criolo reafirma seu lugar em um dos principais festivais do país — não como cabeça de cartaz do palco maior, mas como protagonista de um espaço que, para ele, tem valor imensurável. A mensagem do rapper é clara: todos os palcos são importantes quando a música encontra seu povo.



