O compositor Cid Guerreiro, autor de “Ilariê”, um dos maiores sucessos da carreira de Xuxa, revelou em entrevista ao Pib Florida Podcast que viveu o auge financeiro e o vazio pessoal ao mesmo tempo. Ele afirma que ganhava mais de R$ 1 milhão na época em que o hit dominava as paradas, mas que a fama se tornou uma prisão. A música, sucesso em mais de 17 países, continua relevante: encerra a turnê “O Último Voo da Nave” e é cantada por Xuxa em três idiomas – português, inglês e espanhol.
Sucesso que ultrapassou fronteiras
Além de “Ilariê”, Cid Guerreiro assina “Tindolelê”, outro clássico do repertório infantil de Xuxa. Sua música também atravessou o continente: ele chegou a construir carreira solo na Argentina como cantor pop. O êxito, porém, veio acompanhado de uma rotina exaustiva. “Eu tive todo o sucesso que eu busquei. Fui milionário, ganhava mais de um milhão e não sabia o valor do dinheiro”, contou.
A declaração foi dada ao Pib Florida Podcast, em que o compositor revisita a fase áurea e os bastidores de um dos maiores hits dos anos 1980. A canção, imortalizada na voz de Xuxa, abriu portas para turnês, programas de TV e projetos internacionais. Ainda hoje, “Ilariê” é lembrada como um marco da música infantil no Brasil.
Milionário, mas “prisioneiro” da fama
Apesar do dinheiro e do reconhecimento, Cid Guerreiro afirma que a felicidade não fazia parte daquele cenário. “Eu com todo o dinheiro, fama e sucesso, eu não tinha felicidade. Eu era prisioneiro da minha fama, do meu sucesso e do meu dinheiro”, desabafou. Ele descreveu uma rotina sem vida pessoal: vivia no quarto de hotel, seguia para a van e do veículo direto para o palco. Os shows aconteciam de terça a quinta, e às sextas, sábados e domingos eram duas apresentações por dia.
“Eu não tinha vida. Ninguém sabe o que é a podridão de um homem quando ele começa a se subverter. Ele começa a desvalorizar aquilo que ele almejou um dia. E eu passei por isso”, completou. O relato expõe o lado obscuro do estrelato, frequentemente romantizado no universo artístico. Para ele, o preço pago naquela fase foi alto e resultou em uma mudança radical de rumo.
Conversão religiosa e nova missão
Foi justamente nesse contexto que Cid Guerreiro passou por uma transformação. Em 2005, após participar de um culto na casa do casal Carla Perez e Xanddy, ele se converteu e decidiu deixar o axé. A partir de então, abandonou a carreira pop e passou a dedicar sua vida ao gospel. “Hoje, toda a minha história é no gospel, pregando o evangélico e levando a palavra do Senhor”, disse.
Aos 66 anos, o compositor vive em Aquiraz, no Ceará, ao lado da mulher, Andrea Meirelles, com quem é casado há 35 anos. O casal tem dois filhos e um neto. Nas redes sociais, Cid se apresenta com a descrição: “Antes um artista, agora um adorador”. A frase resume a nova fase de um homem que trocou os palcos lotados pela missão religiosa.
Legado de “Ilariê” e nova rotina
Mesmo longe do circuito pop, o legado musical de Cid Guerreiro permanece vivo. “Ilariê” segue como um dos maiores sucessos da Rainha dos Baixinhos e integra o show de despedida da turnê “O Último Voo da Nave”. A canção é apresentada em três idiomas, o que reforça o alcance internacional conquistado pelo compositor. Para ele, porém, a verdadeira realização não está mais associada a discos de ouro ou cifras milionárias, mas à pregação evangélica e à vida ao lado da família.
O depoimento ao Pib Florida Podcast revela não apenas a memória de um hit que marcou gerações, mas também o processo de redescoberta pessoal de um artista que encontrou na fé um novo propósito. Aos 66 anos, Cid Guerreiro segue ativo como missionário e cantor gospel, consolidando uma trajetória singular na música brasileira.



