Rosa (Tatiana Tiburcio) não é apenas a cozinheira da mansão de Pilar (Isabel Teixeira). Guardiã de um segredo capaz de abalar a vilã, ela se firma como uma das principais aliadas de Adriana (Letícia Colin) no plano de vingança da fisioterapeuta contra todos que a colocaram atrás das grades. Em entrevista, a atriz de 49 anos afirma que torce para que a personagem participe ativamente não só da derrocada de Pilar, mas também da ruína de Tom (Allan Souza Lima).
“Em relação à prisão da mocinha, Tom foi café pequeno. Ele foi a gota de um balde que já estava cheio. Não estou amenizando para ele, não. Mas a Pilar é a grande estrategista dessa situação toda”, avalia a intérprete.
Rosa entre a lealdade a Adriana e os conflitos familiares
Nos próximos capítulos, a trama expõe ainda mais o sofrimento de Elenice (Mariana Sena) na relação abusiva com Tom. A jovem acaba brigando com Adriana e responsabiliza a mãe pelo desentendimento com a amiga. Rosa, então, vive um dilema: apoiar a filha ou deixar claro que aquele casamento é um erro.
“Elenice tem que mandar o Tom para o inferno! (Risos). Não penso diferente da Rosa. Isso não é homem para a filha dela. Rosa está numa posição muito cruel, mas ao mesmo tempo é a certa. Ela criou a filha para ser independente, ensinando que as vontades e escolhas dela têm que ser respeitadas. Só que Elenice está trilhando um caminho completamente errado em prol de uma relação idealizada que só existe na cabecinha dela”, opina a atriz.
Maternidade real: Tatiana projeta em Rosa a criação do filho João
Com a personagem, Tatiana revisita a própria experiência como mãe de João, de 17 anos. Para a atriz, a novela mostra a complexidade do amor materno.
“Com essa personagem, a gente vê o que é a verdadeira maternidade. Ser mãe é padecer no paraíso, porque ao mesmo tempo que é lindo ter um amor gigante pelo ser que você colocou no mundo — e eu só entendi isso quando tive o meu —, também é desesperador. O filho faz escolhas que você não faria, e aí só resta à mãe respeitar as decisões. Rosa não pode fechar portas para Elenice. Ela tem que dizer a verdade com algum freio, senão a filha se afasta”, avalia.
Fora das telas, Tatiana se preocupa em educar o filho com valores feministas. “Falo sobre isso com ele o tempo inteiro. Passo algumas horas com ele ensinando uma educação feminista e antimachista. Levantou a voz, boto logo a militância em cima da mesa na hora. Se ele levantar a voz para uma mulher negra que é sua mãe, amanhã ele estará levantando a voz para qualquer mulher na rua. A consciência tem que ser constante. Graças a Deus, a gente se sintoniza muito bem”, conta.
Relacionamento abusivo: a atriz fala da própria experiência
Tatiana revela que também já passou por uma relação abusiva, mas teve uma reação diferente da de Elenice ao perceber os sinais. “Vivemos num mundo machista, então é difícil uma mulher não ter passado por uma situação semelhante. O que diferencia é a postura de cada uma diante de uma relação assim. Quando vivi um relacionamento tóxico, eu tive a sorte de percebê-lo e de colocar os limites necessários na situação”, desabafa.
Nas redes sociais, as cenas de confronto entre Rosa e Pilar têm gerado repercussão. Tatiana explica a força da personagem para enfrentar a patroa. “Essa relação com Pilar não é algo que a intimida ou a deixa receosa. É claro que ela bota o pé onde ela tem certeza e impõe respeito. É uma característica das pessoas fortes, que aprendem a sobreviver desde cedo e não abaixam a cabeça”, analisa.
O segredo sobre Brigitte e a representatividade negra
Outro ponto de tensão é o segredo que Rosa guarda a sete chaves sobre a paternidade de Brigitte (Tatá Werneck). Tatiana faz mistério sobre o que a personagem sabe. “Pode ser tanta coisa, né? Não necessariamente a identidade do pai em si ou herança... É um segredo cabeludo da Pilar. Ela fez algo bastante questionável e prejudicou muito a Brigitte”, adianta.
A atriz comemora o fato de Rosa transitar por tantos núcleos na novela — do embate com a vilã à aliança com a mocinha, passando por conflitos familiares e até humor. “Fico feliz porque a gente passou muito tempo tendo personagens negros sem vida própria, sempre na função de ressaltar as benesses de um grupo privilegiado”, pontua.



