O escritor português Valter Hugo Mãe lançou durante a 14ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) o romance O século dos imbecis, que rapidamente se tornou o segundo livro mais vendido do evento. A obra marca uma nova fase na carreira do autor, voltada para o sarcasmo e a crítica direta à contemporaneidade.
Uma alegoria sobre a estupidez contemporânea
Em entrevista, Mãe afirmou: 'Estamos piorando como espécie'. O livro é um espelho crítico da relação da sociedade com as redes sociais e a tecnologia, usando a sátira para expor a perda do senso crítico e os impactos da inteligência artificial na identidade humana.
O romance aborda como a superficialidade e a velocidade da informação digital corroem a capacidade de reflexão. Segundo o autor, a obra é uma tentativa de 'rir do absurdo' enquanto alerta para os perigos da desumanização.
Segundo mais vendido da Flip
O século dos imbecis figurou entre os títulos mais procurados na Flip, atrás apenas de um outro lançamento de peso. O sucesso de vendas reflete o interesse do público por narrativas que questionam o papel da tecnologia na vida cotidiana.
A Flip, que aconteceu em Paraty, reuniu escritores, leitores e críticos literários. A presença de Mãe foi um dos destaques, com sessões de autógrafos lotadas. O livro já está disponível nas principais livrarias do país.
Nova fase literária
Com O século dos imbecis, Valter Hugo Mãe inaugura uma fase focada no sarcasmo e na crítica direta. Diferente de suas obras anteriores, mais líricas, o novo romance aposta em uma linguagem mordaz e em situações absurdas para questionar a sociedade contemporânea.
O autor português, conhecido por títulos como O apocalipse dos trabalhadores e Homens imprudentemente poéticos, agora se volta para a sátira política e social. A mudança de tom foi bem recebida pela crítica, que elogia a coragem de Mãe em abordar temas complexos com humor.
Impacto das redes sociais e da IA
Um dos temas centrais do livro é o impacto das redes sociais na formação da opinião pública. Mãe descreve um mundo onde algoritmos determinam o que as pessoas pensam, e a inteligência artificial substitui a capacidade de julgamento humano.
O romance sugere que a imbecilidade não é um traço individual, mas um fenômeno coletivo incentivado pela tecnologia. 'A estupidez se tornou um negócio lucrativo', disse o autor durante o lançamento.
Crítica social e identidade
Além da tecnologia, o livro também questiona a perda da identidade em um mundo hiperconectado. Personagens vagam entre perfis falsos e opiniões fabricadas, refletindo a fragmentação do eu na era digital.
Para Mãe, a literatura ainda tem o poder de despertar consciências. 'Se rirmos da nossa própria estupidez, talvez possamos mudar', conclui. A obra é um convite à reflexão sobre o rumo da humanidade.



