A biografia 'A vida invisível da sra. Orwell', da australiana Anna Funder, revela que o escritor britânico George Orwell, conhecido por retratar tiranias em obras como '1984' e 'A fazenda dos animais', submetia sua primeira esposa, Eileen Blair, a uma rotina de exploração doméstica e apagamento intelectual.
Contribuições não creditadas de Eileen
O livro detalha como Eileen foi fundamental na criação dos clássicos de Orwell, apesar de ter suas contribuições sistematicamente ignoradas pelo escritor e por biógrafos posteriores. Segundo Funder, Eileen atuou como revisora, editora e até mesmo coautora em diversos textos, mas seu nome nunca aparecia nas obras.
Cartas inéditas expõem desigualdade
A obra expõe o machismo estrutural por meio de cartas inéditas de Eileen, que mostram a desigualdade de um casamento baseado na conveniência do autor. As correspondências revelam que Eileen se sentia sobrecarregada com as tarefas domésticas e emocionalmente desgastada pela falta de reconhecimento.
De acordo com a biógrafa, Orwell esperava que Eileen cuidasse da casa, da alimentação e até mesmo de sua saúde frágil, enquanto ele se dedicava exclusivamente à escrita. Em uma das cartas, Eileen desabafa: 'Às vezes sinto que sou apenas uma empregada que ele mantém por perto'.
Impacto na obra de Orwell
Funder argumenta que o apagamento de Eileen não foi apenas pessoal, mas também intelectual. Ela teria sugerido ideias centrais para '1984', como o conceito do 'Grande Irmão' e a manipulação da verdade pelo Partido. No entanto, essas contribuições nunca foram reconhecidas publicamente.
O livro já gerou debates no meio literário, com críticos apontando que a revelação não diminui o valor da obra de Orwell, mas acrescenta uma camada de complexidade à sua figura. Para Funder, a história de Eileen é um exemplo de como o talento feminino foi historicamente silenciado.



