A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) registrou recorde de eventos em sua programação paralela. Entre as atrações, a gastronomia ganhou destaque, com pratos inspirados nas obras de José Saramago e Fernando Pessoa, criados por chefs como a portuguesa Rita Magro.
Experiências sensoriais a partir da literatura
A chef Rita Magro, especializada em gastronomia literária, desenvolveu pratos baseados no romance "Ensaio sobre a cegueira", de Saramago. Em suas criações, ela busca traduzir em sabores e texturas os temas da obra, como a perda da visão e a fragilidade humana. Já Fernando Pessoa inspirou receitas que exploram a multiplicidade de seus heterônimos, oferecendo uma viagem gastronômica pelos diferentes estilos do poeta.
A programação paralela da Flip, que incluiu oficinas, degustações e mesas-redondas, foi a maior da história do evento, segundo a organização. Isso reflete o interesse crescente do público em experiências multidisciplinares, onde a literatura se encontra com outras artes, como a culinária.
O papel da gastronomia na Flip
Há anos, a Flip tem investido na relação entre livros e comida. Nesta edição, a novidade foi a amplitude das atividades gastronômicas, que ocuparam espaços como a Casa da Cultura e ruas do centro histórico de Paraty. Os visitantes puderam participar de workshops de culinária literária, onde aprenderam a preparar pratos inspirados em clássicos da literatura portuguesa.
Além de Saramago e Pessoa, outros autores foram homenageados, mas a dupla lusitana foi o centro das atenções. Segundo a curadoria da programação paralela, a gastronomia permite uma nova forma de acesso à literatura, proporcionando uma experiência imersiva que vai além da leitura.
Sabores da literatura portuguesa
Os pratos criados por Rita Magro incluíram um menu degustação com entrada, prato principal e sobremesa. Cada etapa representava uma passagem do livro de Saramago, utilizando ingredientes como azeite, bacalhau e frutas tropicais. Para Pessoa, as receitas variavam conforme o heterônimo: um prato mais clássico para Ricardo Reis, outro mais moderno para Álvaro de Campos, e uma sobremesa lírica para Alberto Caeiro.
O recorde de eventos paralelos mostra que a Flip se consolida não apenas como feira de livros, mas como festival cultural abrangente. A expectativa é que essa tendência se intensifique nas próximas edições, com mais integração entre diferentes linguagens artísticas, como música, teatro e, claro, gastronomia.
A cidade de Paraty, Patrimônio Mundial pela UNESCO, serviu de cenário para essa fusão entre literatura e culinária, atraindo visitantes de todo o Brasil e do exterior. A programação paralela, que aconteceu em diversos pontos históricos, reforçou o caráter democrático e acessível do evento, que busca envolver todos os sentidos do público.



