'Não somos mula': exposição retrata criatividade nas praias do Rio
Não somos mula: exposição sobre trabalhadores cariocas

O fotógrafo Rogério Reis apresenta, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, a exposição Não somos mula, que reúne uma série de fotografias dedicadas à criatividade dos trabalhadores das praias cariocas. As imagens foram produzidas ao longo de caminhadas diárias pela orla, um método que permitiu ao autor flagrar momentos espontâneos do cotidiano desses profissionais. A mostra é um convite para conhecer um lado pouco explorado do trabalho informal nas areias do Rio de Janeiro.

Na exposição, o público encontra cenas que mesclam humor, poesia e resistência. Vendedores ambulantes que equilibram produtos de forma engenhosa, catadores que improvisam carrinhos, guarda-sóis e mesas adaptados, e tantos outros personagens que usam a imaginação para sobreviver. Por meio dessas imagens, Rogério Reis demonstra que a criatividade não é apenas uma característica artística, mas uma ferramenta essencial para o trabalho nas praias.

Um olhar caminhante

O processo de produção das fotografias é parte fundamental da obra. Em vez de ensaios planejados, o fotógrafo optou por caminhar diariamente pela orla, observando e registrando o que via. Essa técnica resulta em imagens com naturalidade e proximidade, capturando a essência dos trabalhadores sem artificialidade. A caminhada diária transforma o projeto em um exercício de escuta visual, em que cada encontro pode se tornar uma nova imagem.

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O título Não somos mula funciona como um grito de afirmação. Ao retratar esses trabalhadores com respeito e atenção, o fotógrafo devolve a eles a dignidade que muitas vezes lhes é negada. A mostra questiona a invisibilidade social que acomete os trabalhadores informais, evidenciando suas habilidades e sua capacidade de superar adversidades.

Exposição em cartaz

A mostra está em cartaz no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, um espaço importante para as artes visuais na cidade. O endereço é conhecido por receber projetos que se relacionam com a cultura urbana e com as questões sociais, o que torna a exposição ainda mais coerente. A entrada é aberta ao público, e a visitação é uma oportunidade de refletir sobre o papel do trabalho nas praias e a beleza encontrada nas pequenas ações do dia a dia.

Rogério Reis, com seu olhar atento, constrói uma narrativa visual que honra a memória e a presença dos trabalhadores das praias cariocas. Suas fotografias ficam na memória do espectador muito depois da visita, servindo como um documento afetivo e crítico da cidade.

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