Literatura não é para mim? Especialista explica por que todos podem ler
Literatura não é para mim? Todos podem ler, diz especialista

A frase "a literatura não é para mim" ecoa entre muitos brasileiros que se sentem excluídos do universo dos livros. No entanto, o escritor e influenciador literário Pedro Pacífico, conhecido como @pedropacifico nas redes sociais, afirma que essa sensação é fruto de uma construção social que precisa ser desconstruída. Em sua coluna no jornal O Globo, ele defende que a literatura é um direito de todos e dá dicas para quem deseja começar a ler.

Por que tantas pessoas se sentem excluídas da literatura?

Pacífico aponta que o problema começa na escola, onde a leitura muitas vezes é imposta de forma autoritária, com listas de clássicos que não dialogam com a realidade dos alunos. "A literatura foi transformada em um dever, em uma obrigação, e não em um prazer", escreve. Além disso, há um preconceito de que apenas livros considerados 'difíceis' ou 'eruditos' têm valor, o que afasta leitores iniciantes. Segundo uma pesquisa do Instituto Pró-Livro, 44% da população brasileira não lê nenhum livro por ano, e 30% nunca comprou um livro.

Como começar a ler sem medo

Para Pacífico, o primeiro passo é abandonar a culpa. "Leia o que te der vontade, seja um romance, uma HQ, um livro de autoajuda ou um thriller. O importante é criar o hábito", sugere. Ele recomenda começar com gêneros mais acessíveis, como ficção contemporânea ou não-ficção sobre temas de interesse pessoal. "Não se sinta obrigado a terminar um livro que não te agrada. A leitura deve ser um prazer, não uma penitência." O escritor também incentiva a participação em clubes de leitura e a troca de recomendações com amigos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O papel das redes sociais na democratização da leitura

Pacífico é um dos principais nomes do chamado 'bookstagram' no Brasil, comunidade que reúne leitores no Instagram. Para ele, as redes sociais têm um papel fundamental em mostrar que a leitura pode ser divertida e inclusiva. "Vejo perfis que recomendam livros de todos os tipos, para todos os gostos. Isso quebra a ideia de que só existe um tipo de leitor válido", afirma. Ele cita o exemplo de leitores que se descobriram apaixonados por livros depois de seguirem perfis literários: "Muita gente me escreve dizendo que nunca tinha lido um livro inteiro e agora não consegue parar."

Literatura como ferramenta de empatia e conhecimento

Além do entretenimento, Pacífico destaca que a leitura amplia horizontes e desenvolve a empatia. "Ao ler histórias de pessoas diferentes de nós, passamos a entender melhor o mundo e as outras pessoas", diz. Ele cita estudos que mostram que a leitura de ficção ativa áreas do cérebro relacionadas à teoria da mente, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro. "Num momento em que a polarização e o ódio dominam as redes, a literatura pode ser um antídoto."

Dicas práticas para criar o hábito de leitura

Para quem quer começar, Pacífico sugere: estabeleça metas realistas, como 10 páginas por dia; tenha sempre um livro na bolsa; experimente audiolivros durante deslocamentos; e não tenha vergonha de ler livros 'populares'. "O importante é ler. Não importa se é Machado de Assis ou Harry Potter. O hábito da leitura é que transforma." Ele lembra que a literatura não é uma competição: "Você não precisa ler 50 livros por ano. Se ler um livro por mês, já está ótimo."

Conclusão: a literatura é para todos

Pacífico encerra sua coluna com uma mensagem de encorajamento: "A literatura não é um clube fechado. Não tem porteiro nem código de vestimenta. Basta querer entrar. E, se você está lendo este texto, já deu o primeiro passo." Ele reforça que a leitura é uma jornada pessoal e que cada um deve encontrar seu próprio caminho. "Não desista. O livro certo para você está por aí, esperando ser descoberto."

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar