O Museu das Favelas, no Centro de São Paulo, recebe a exposição 'Com Amor, Alcione', que celebra os 50 anos de carreira da cantora. Com mais de 650 itens do acervo pessoal da artista, a mostra reúne cinco passaportes, mais de 40 álbuns, figurinos históricos, fotografias, prêmios e objetos pessoais que contam sua trajetória.
Percurso temático e curadoria
A exposição, idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), chega pela primeira vez a São Paulo com um módulo inédito sobre migração. A curadoria é assinada por Deyla Rabelo, Gabriel Gutierrez e Luciana Gondim, com curadoria institucional de Jairo Malta. O percurso passa por música, religiosidade, carnaval, ancestralidade e migração.
Espaço dedicado à espiritualidade
Logo nas primeiras salas, o visitante encontra um espaço dedicado à espiritualidade, com santos, entidades e orixás que apresentam o sincretismo religioso cultivado pela cantora e mostram como a fé acompanha sua trajetória pessoal e artística.
Passaportes e trajetória de superação
Outro núcleo reúne os passaportes da artista. Segundo a curadoria, os documentos representam a trajetória de uma mulher negra que, desde os anos 1970, conquistou espaço dentro e fora do Brasil e rompeu barreiras em uma época em que esses caminhos eram ainda mais restritos.
Ligação com a Mangueira
A exposição também conta com figurinos usados pela artista em desfiles da Mangueira, escola de samba pela qual é apaixonada. A relação começou ainda na infância, quando ela acompanhava os desfiles pela televisão, no Maranhão. Depois de se mudar para o Rio de Janeiro, realizou o sonho de desfilar pela escola e construiu uma ligação que se tornou parte de sua identidade artística. Esse vínculo também aparece em um espaço dedicado ao trabalho desenvolvido pela cantora com a comunidade mangueirense, destacando sua participação na Mangueira do Amanhã e na Vila Olímpica da Mangueira.
Raízes maranhenses e módulo sobre migração
Outro ambiente apresenta fotografias de diferentes momentos da vida de Alcione no Maranhão, revelando sua ligação com as tradições populares do estado. Para os curadores, essa vivência ajudou a moldar uma identidade artística influenciada por manifestações como o bumba meu boi. A temporada paulista ganhou um módulo inédito dedicado às migrações, que aproxima a história da cantora da trajetória de milhares de nordestinos e nortistas que ajudaram a formar a identidade cultural do país. "São Paulo foi construída pelos migrantes que vieram do Norte e do Nordeste e continuam diariamente construindo a cidade com a cultura", afirma o curador Gabriel Gutierrez.
Emoção de Alcione
Ao visitar a exposição, Alcione se emocionou ao rever momentos de sua carreira. "Essa exposição massageia meu espírito, massageia minha alma. Aqui estão contidas as coisas que já fiz, as coisas que pensei para frente, as ideias da Alcione. Então eu fico muito comovida com essa exposição. Estou muito feliz, estou até vaidosa com ela", disse Marrom.
Serviço
A exposição 'Com Amor, Alcione' fica em cartaz até 6 de dezembro, de terça a domingo, das 10h às 17h (permanência até as 18h), no Museu das Favelas (Largo Pátio do Colégio, 148, Centro Histórico). A entrada é gratuita, com retirada antecipada pela Sympla ou na recepção do museu, sujeita a lotação.



