CineOP 2026 encerra com prêmios e reflexão sobre o uso de imagens de arquivo
CineOP 2026: prêmios e reflexão sobre imagens de arquivo

O 21º CineOP, mostra sui generis que engloba preservação, história e educação, encerra-se hoje à noite em Ouro Preto com um dia de festa e premiação, mas também de reflexão sobre o papel das imagens. Desde o ano passado, o evento conta com uma mostra competitiva diferente dos festivais tradicionais, na qual concorrem longas-metragens que reprocessam, com criatividade, material de arquivo.

Filmes concorrentes e debates

Os concorrentes já foram apresentados e debatidos: Irritante Prodígio, de Luiza Lindner; Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas, de Carlos Adriano; Notas sobre um Desterro, de Gustavo Castro; Universo Circular - Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro; e Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar. Todos eles se valem, no todo ou em parte, de material de arquivo previamente filmado.

Destaques da programação

Carlos Adriano dá continuidade à sua pesquisa com a forma e com a História em Proust Palimpsesto, descrito pelo diretor como "um ensaio joyceano sobre o autor de Em Busca do Tempo Perdido". Também foram exibidos documentários sobre trajetórias femininas: Universo Circular - Jocy de Oliveira, sobre a musicista erudita contemporânea, e Apopcalipse Segundo Baby, sobre a cantora popular Baby do Brasil. "As veredas da cultura devem ser percorridas sem preconceitos, sem que uma invalide a outra. Completam-se", observa o texto.

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Irritante Prodígio e a terapia pelas imagens

Em Irritante Prodígio, Luiza Lindner registra seus próprios problemas a partir de uma primeira crise de pânico, seguida por episódios de anorexia e bulimia. "Registrar essas crises, e tentativas de tratamento, pode ser uma maneira de buscar a cura. Terapêutica pelas imagens e pela reflexão sobre elas", afirma a análise. O filme é autocrítico, como o título sugere, mas também corajoso.

Notas sobre um Desterro e a ética das imagens de guerra

Notas sobre um Desterro, de Gustavo Castro, é um documentário de viagem em primeira pessoa sobre a Palestina. O diretor visita o local em busca das cisões religiosas e históricas que conformam a tragédia, mas o rumo muda com a invasão de Gaza e o início do genocídio. O filme traz depoimentos tocantes de moradores e cenas muito fortes que humanizam os registros anódinos da mídia. Tiago Monteiro, pesquisador do filme, disse no debate que o uso de cenas de guerra de extrema violência foi objeto de longa discussão na equipe: "Até onde mostrar a violência, até que ponto ela é suportável?" — uma questão prática que se desdobra em um problema ético.

Reflexão sobre a inflação imagética

A obra surpreende ao incluir, no final, um extrato de imagens banais e frívolas das redes sociais, como Tik Tok, sugerindo que a sobrecarga de imagens a que somos submetidos trabalha para invisibilizar o que é importante. "Imagens são soterradas por imagens, numa dimensão que jamais se viu e que conforma a nossa alienação contemporânea, livremente buscada por cada um de nós — servidão voluntária, na expressão de Etienne de la Boétie", conclui o texto. Notas sobre um Desterro é descrito como um filme "belo, duro e necessário", destinado a permanecer na memória em tempos de inflação imagética.

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