Maria Eduarda de Carvalho declara ser PCD por má formação na retina
Maria Eduarda de Carvalho revela quase cegueira de um olho

A atriz Maria Eduarda de Carvalho falou publicamente pela primeira vez sobre uma condição com a qual nasceu: uma má formação na retina. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, a artista afirmou que é quase cega de um dos olhos e se declarou pessoa com deficiência (PCD). O desabafo aconteceu depois que ela assistiu à peça "Meu corpo está aqui", de Julia Spadaccini, em cartaz em São Paulo.

No relato, Maria Eduarda explicou que nunca havia falado abertamente sobre o assunto. O vídeo alcançou cerca de sete mil curtidas em menos de um dia, demonstrando a repercussão do depoimento entre seguidores e fãs.

Quase cega de um olho: a revelação da atriz

"Eu sou PCD. Nunca falei sobre isso publicamente, mas eu nasci com uma má-formação na retina que faz com que eu seja quase cega de um dos olhos. E durante boa parte da minha vida, eu só consegui enxergar aquilo que me faltava, tudo aquilo que eu perdia por não ter uma visão 'perfeita'", começou a atriz.

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A fala inicial já trazia uma crítica à busca pela perfeição, tema que atravessou toda a publicação. Para Maria Eduarda, a deficiência visual não deve ser encarada como um erro, mas como parte de sua forma de estar no mundo.

O que a peça "Meu corpo está aqui" despertou

Maria Eduarda contou que saiu do espetáculo "Meu corpo está aqui", da Julia Spadaccini, pensando sobre o que significa aprender a habitar o próprio corpo. Ela refletiu sobre a ideia de perfeição que as pessoas insistem em carregar e a forma como isso afeta a relação com a própria imagem.

"Semana passada eu assisti ao excelente espetáculo 'Meu corpo está aqui', da Julia Spadaccini, que está em cartaz em São Paulo, e saí de lá pensando no que significa essas coisas de aprender a habitar o próprio corpo? Nessa ideia de perfeição, que a gente insiste em carregar", relatou.

A artista disse ter concluído que seu corpo nunca foi um erro a ser corrigido. "Ele é o lugar de onde eu vejo o mundo", afirmou. A frase reforça a ideia de que a deficiência, para ela, deixou de ser uma falta para se tornar uma perspectiva.

Arte, olhar e identidade

No encerramento do vídeo, Maria Eduarda relacionou a condição do olho com sua trajetória artística. "Hoje eu gosto de pensar que esse olho também me ofertou uma possibilidade muito singular de ver a vida. Sem ele talvez eu nem tivesse me tornado artista", concluiu.

A declaração impactou quem acompanha o trabalho da atriz. Publicações como essa ganham relevância por trazerem para o centro do debate questões sobre deficiência, corpo e representatividade no meio artístico. Ao tornar pública sua condição, Maria Eduarda se junta a outras vozes que ajudam a ampliar a visibilidade de pessoas com deficiência no Brasil.

A má formação na retina é uma alteração congênita que pode afetar a visão de diferentes formas. No caso da atriz, a condição compromete um dos olhos, deixando-a com baixa visão significativa daquele lado. O tema, no entanto, vai além do aspecto clínico para Maria Eduarda, que transformou a experiência em matéria-prima para sua arte.

O espetáculo citado pela atriz, "Meu corpo está aqui", de Julia Spadaccini, está em cartaz em São Paulo e aborda questões ligadas à imagem corporal, à saúde e à convivência com o próprio corpo. A montagem serviu de ponto de partida para uma reflexão que, segundo a artista, já vinha sendo construída em sua vida pessoal.

Ao longo dos anos, Maria Eduarda construiu uma carreira no teatro e na televisão, mas nunca havia abordado publicamente a deficiência visual. A publicação desta semana marca uma mudança nessa postura, com a artista assumindo de forma aberta sua identidade PCD e a relevância disso em sua história.

O vídeo, que já soma milhares de curtidas, também gerou uma onda de solidariedade online. Seguidores elogiaram a coragem da atriz e ressaltaram a importância de falar sobre o tema. Nas redes sociais, a publicação circulou rapidamente, consolidando Maria Eduarda como uma das vozes do momento em discussões sobre representatividade.

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