Vitor Santos, um jovem de 18 anos que vive com vitiligo, acaba de dar um passo importante em sua carreira ao estrear como modelo profissional. Em entrevista exclusiva, ele compartilha como transformou a relação com a própria pele e encontrou nas passarelas um espaço de representação e empoderamento.
Da aceitação à passarela
Natural de São Paulo, Vitor sempre lidou com olhares curiosos e comentários sobre as manchas claras que se espalham pelo corpo. Durante a adolescência, o vitiligo foi motivo de insegurança e baixa autoestima. “Eu me escondia, usava roupas compridas e evitava fotos”, relembra. A virada aconteceu quando ele decidiu encarar a própria imagem de frente e percebeu que a diferença poderia ser um diferencial.
Foi por meio das redes sociais que Vitor começou a compartilhar sua rotina e suas reflexões sobre beleza e aceitação. O engajamento veio rápido, e logo ele foi notado por agências de modelos. “Recebi um convite para um teste, fui com medo, mas também com esperança. Quando entrei no estúdio, senti que ali era o meu lugar”, conta.
Um novo olhar sobre a beleza
Para Vitor, a moda ainda tem um longo caminho quando o assunto é diversidade. Ele acredita que sua presença nas passarelas ajuda a ampliar o conceito de beleza, mostrando que ela não é única nem padronizada. “Quero que outras pessoas com vitiligo se sintam representadas e saibam que podem ocupar qualquer espaço, inclusive o da moda”, afirma.
O jovem modelo também destaca a importância de marcas e estilistas abraçarem a diversidade de verdade, não apenas em campanhas pontuais, mas em todo o processo criativo. “Não basta colocar um modelo com vitiligo em um anúncio. É preciso que haja respeito e inclusão em todos os níveis”, ressalta.
Impacto e representatividade
O vitiligo afeta cerca de 0,5% a 2% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas convivam com a condição. Apesar disso, a representatividade ainda é escassa em campanhas publicitárias e desfiles de moda.
Especialistas em dermatologia explicam que o vitiligo é uma condição autoimune que causa a perda da pigmentação da pele, mas não oferece riscos à saúde física. O impacto, no entanto, é emocional e social, o que torna a visibilidade tão importante. “Iniciativas como a do Vitor ajudam a quebrar estigmas e a promover a aceitação da diversidade”, comenta a dermatologista Dra. Marina Andrade, que acompanha o caso.
Planos para o futuro
Com apenas 18 anos, Vitor Santos já vislumbra uma carreira sólida no mundo da moda. Ele pretende participar de grandes semanas de moda, tanto nacionais quanto internacionais, e também quer usar sua plataforma para falar sobre autoestima e saúde mental. “Quero ser uma voz para quem se sente invisível. Se eu conseguir tocar uma pessoa que seja, já valeu a pena”, finaliza.
A estreia de Vitor nas passarelas é mais um passo em direção a uma indústria mais plural. Seu exemplo inspira não apenas pessoas com vitiligo, mas todos aqueles que buscam se aceitar como são.



