A contagem regressiva começou: falta um mês para o início do Rock in Rio 2026, e a expectativa é enorme, especialmente para os artistas que farão sua estreia no festival, como o funkeiro e produtor Hitmaker. Nascido e criado no Morro do Dezoito, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ele será o segundo a se apresentar no Espaço Favela na abertura do evento, em 4 de setembro.
Sonho de infância e realização no palco
Para Hitmaker, o Rock in Rio representa a realização de um sonho antigo. “O Rock in Rio representa muita coisa na minha história. Como compositor, produtor, fã... Sempre quis ter uma música que tocasse no festival”, revela o artista. Ele relembra o momento em que viu o público cantar sua canção “Favela chegou” em shows de Anitta e Ludmilla: “Foi a realização de um sonho para um cara que foi criado no Morro do Dezoito”.
Antes de conquistar seu próprio espaço na Cidade do Rock, Hitmaker nunca havia conseguido comparecer ao festival. A primeira vez que pisou no local foi em 2024, na edição anterior, quando foi convidado por Akon para tocar um remix de um de seus hits no Palco Mundo. A oportunidade surgiu graças a um pedido especial de sua filha, Maitê, de 9 anos. “Tudo começou por causa de um remix que eu fiz para minha filha. Toda vez que eu a levo e busco na escola, coloco para tocar alguma música que ela goste, mas na minha versão. É um combinado que temos. Ela escolhe a canção, remixo e nós dois curtimos”, explica.
Na época, Maitê escolheu “Lonely”, do Akon. Coincidentemente, Hitmaker e Akon são da mesma gravadora, o que facilitou um encontro antes do show do cantor no festival. “Mostrei o remix para ele e recebi o convite”, conta o funkeiro, que agora terá um show próprio no Espaço Favela, com a filha confirmada na plateia.
Superação e homenagem à avó
A trajetória de Hitmaker é marcada por superação. Criado pela avó, Nice, ele enfrentou dificuldades financeiras na infância, mas a música sempre esteve presente. Quando ela adoeceu com câncer e depressão, ele decidiu fazer algo para alegrá-la. Sem televisão em casa, pediu emprestado um cavaquinho de um vizinho, que tinha apenas duas cordas e um papelão colado atrás. “Me sentei na cama da minha avó, toquei e cantei; ela dormiu. No dia seguinte, me disse: ‘Vai não me botar para dormir de novo?’”, relembra.
Foi nesse momento que ele descobriu a ficha técnica de um CD e entendeu que Alexandre Pires não fazia tudo sozinho. “Pensei: ‘Preciso ser igual a ele’. Na época, eu disse: ‘Vó, vou consertar esse cavaco, aprender a cantar, conhecer o Alexandre Pires e tocar na rádio. Tudo pela senhora’”, conta. Para consertar o instrumento, ele deixava de lanchar e ia a pé para a escola para economizar os R$ 2 da passagem de ônibus. “Eu era conhecido como menino do cavaquinho”, lembra.
Após três meses de dedicação, ele chegou em casa para mostrar à avó a música que ela mais gostava, mas ela faleceu no mesmo dia. “Eu falo que o menino Wallace faleceu junto naquele dia. Dali em diante, eu não soube o que é jogar bola, soltar pipa, nada. Eu só faço música”, desabafa. Ele seguiu carreira como compositor, passou pelo pagode e depois se envolveu com o funk, sempre honrando as promessas feitas à avó.
Representatividade e venda extraordinária
Hitmaker vê seu show no Rock in Rio como uma conquista coletiva. “O que acontece com muitos de nós é achar que não dá para fazer, que não dá para chegar lá. Mas devido à teimosia do brasileiro, a gente faz as coisas acontecerem. É sobre realização não só de um sonho meu, mas a representatividade de muitos outros sonhos periféricos estarem ali naquele palco!”, afirma.
Paralelamente, o Rock in Rio 2026 anunciou uma venda extraordinária de ingressos para todos os dias do festival, na próxima quinta-feira, às 12h, exclusivamente no site da Ticketmaster Brasil. O evento ocorre nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Três datas já estavam esgotadas antes do anúncio.



